sexta-feira, 1 de janeiro de 2016
Seja como for, eu vou
sexta-feira, 16 de outubro de 2015
Eu gosto do gosto da coragem
segunda-feira, 10 de junho de 2013
Melancolia conformista
Já me conformei em gostar de certas coisas que me doem. Parece masoquista apreciar algo que gera um pequeno sofrimento, mas minha pretensão nunca foi ser normal mesmo. Por isso, deixo claro neste exato momento que acho melancolia uma palavra extraordinária. Uma das poucas que expressa seu significado em cada sílaba. Experimente sussurrar ‘melancolia’ em alguma madrugada dessas e me diga se o som também não é dolorido na medida certa.
Sei exatamente quando ela me atinge porque vem de mãos dadas com um certo conformismo que não me é característico, mas que acaba me deixando serena. Acho que aprendi a conviver com a melancolia porque a dor é suportável e vem carregada de criatividade. Faz com que eu olhe pra dentro de mim. A tristeza pura e simples não me deixa esperançosa nem me empurra pra frente. Mas a melancolia me faz ter vontade de pintar os lábios com meu melhor batom e jogar por cima da cabeça o vestido que mais me cair bem. Os olhos não estão alegres como costumam ser, mas a cabeça fervilha.
Melancolia é aquele vento frio que me faz abraçar a mim mesma e fechar os olhos como num pedido. É jogar o cabelo na direção contrária e sorrir aquele sorriso triste que não é destinado pra ninguém a não ser pra você mesma. A melancolia me faz ouvir os discos da Legião Urbana de cabo a rabo enquanto encaro o teto do meu quarto. Me faz mais bonita na minha solidão. Como se eu fumasse um cigarro na sacada de casa sem fumar nada nem ter sacada em casa. Como se eu vivesse mil vidas dentro de um só corpo. A melancolia dói, mas impulsiona. Fere, mas também ajuda a cicatrizar. É uma parte mais triste da gente, sim. Mas uma parte que precisa existir.

Maria Lúcia aprova esse post
Love, Tary
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
Eu te avisei: vai à luta
Enquanto olho para o meu quarto bagunçado me pego pensando no quanto a vida é imprevisível. Num dia a gente tem total certeza de quem é, do que quer e para onde está indo. Vinte e quatro horas depois, seu destino não está mais nas suas mãos e não há nada que você possa fazer quanto a isso. Alguns de vocês podem dizer que o controle é nosso. Somos nós que apertamos os botões, avançamos, paramos, desligamos. Mas a verdade é que várias forças interferem no processo e nós nos conformamos muito facilmente. Porque o conformismo é simples, não exige tentativa e erro nem tentativa e acerto. Se o conformismo fosse gente, seria aquela vizinha carrancuda que não responde seu bom dia e ainda fala mal de você pelas costas.
Mudar é que é complicado. Desistir quando não está se divertindo mais é que é corajoso. Ficar parado olhando o mundo girar e não levantar os braços para sentir a brisa é a verdadeira covardia. Crescer não significa abdicar de tudo, se contentar com tudo e aceitar tudo. Crescer é não deixar nunca de torcer o nariz para o que te faz infeliz. Crescer é dar a cara à tapa pelo menos uma vez para não ter que contar para os netos que teve medo de todos os riscos que apareceram pela frente. E por mais contraditório que pareça, crescer é saber a hora de virar criança. Colocar os pés pra cima e adivinhar o desenho das nuvens sem medo de parecer idiota. Se a perseverança fosse gente, seria aquela priminha que agarra sua mão e pede: “Não vai embora agora, brinca mais um pouquinho!”.
Ao olhar para o meu quarto bagunçado esperando – ironicamente - que eu dê uma de adulta e arrume a confusão antes que ela me engula, me dou conta de uma coisa espantosa: ainda tenho muito a crescer. Preciso aprender um bocado, apanhar um bocado, chorar um bocado. Ainda tenho muito a viver. E eu vou. O que me move é olhar para o espelho e não enxergar uma ressentida que abandona a essência como se nada fosse e joga os princípios no lixo. Vejo uma menina que não sabe ainda o que pode esperar do futuro e se sente um bocado perdida, mas vai à luta. É difícil. Leva tempo. A vida é imprevisível. Mas dizem que em algum momento eu vou ter certeza de que não foi em vão.
Love, Tary
terça-feira, 3 de julho de 2012
Sem título, com sentimento
Às vezes a vida te leva a uma espécie de vazio. E, quase sempre, isso é exatamente aquilo que você precisa: ficar quieta por um tempo para finalmente descobrir uma coisa ou duas sobre sentimento. Isso mesmo. Sobre as coisas que você sente e que acabam sendo responsáveis por metade das suas atitudes. Porém, por mais que isso seja importante para seu crescimento pessoal, o processo é incrivelmente doloroso.
Dói tanto e a confusão é tão grande que você se esquece até mesmo de quem é, das coisas que gosta e da coragem que batalhou para conquistar. Nesses momentos, parece que pegaram toda a angústia, as dúvidas e seus sonhos estúpidos e bateram no liquidificador. Aí colocaram em um copo de cristal e te enfiaram goela a baixo sem nem perguntar se você queria mesmo experimentar.
Então você começa a sentir aquele aperto no peito e também o bolo na garganta que antecedem o choro. Mas as lágrimas não saem. E a única coisa que te faz acordar todas as manhãs e passar por isso é a certeza de que vai passar. De que é normal e de que você vai estar mais forte quando acabar. E vai mesmo.
Porque aprender sobre os próprios sentimentos não é fácil e ninguém sabe tudo sobre isso. Não existe receita. Estudiosos, números e pesquisas jamais conseguirão explicar essas fases em que tudo o que a gente quer é dormir ou viajar pra bem longe até que as dificuldades tenham sido vencidas. Só que ninguém é capaz de te conhecer mais do que você mesmo. E a sua vida não vai parar e esperar um momento em que você esteja preparado. Aliás, o vazio vai te pegar exatamente quando você estiver mais frágil.
Mas não se preocupe. Quando tudo terminar, você vai voltar a se reconhecer. Não vai ter mais que procurar motivos para sorrir: as razões estarão ali, dentro de você. Vai passar, confie em mim. Você vai precisar de abraços, paciência e de muitas pessoas que te digam isso várias vezes por dia, mas vai. E quando acontecer, as lágrimas finalmente vão se sentir livres para sair e uma sensação de anestesia vai invadir o seu corpo inteiro. Essa fase será lembrada como são lembradas todas as fases. Suporte com tudo o que puder porque no final, acredite em mim, você será toda sentimento. Até lá, apenas seja forte.
Love, Tary
P.S: Esse texto faz parte de um meme chamado ‘Recicle o título’. Eu deveria pegar o título de uma blogueira, escolhida através de sorteio, e escrever um texto baseado nele. Depois revelo a dona desse título lindo.
sexta-feira, 23 de março de 2012
Figurante do Woody Allen
Gosto de coisas antigas. Filmes em preto e branco, livros clássicos, músicas. Meu cantor favorito já se foi há mais de 20 exageros, um ano antes de eu nascer, o que me enche de tristeza como se tivesse ido a todos os shows, conhecido pessoalmente, pegado autógrafo e tirado foto.
As canções favoritas da minha vida, meus dois hinos, meus dois mantras também são de outra época, tocaram primeiro em quartos sem internet nem televisão. Adoro sair pra dançar, mas não me importo em ficar em casa fazendo da minha cama o meu mundo, bem 90 aninhos, escrevendo cartas e desenhando corações.
Admiro mulheres de outros tempos, algumas lá da Idade Média, me inspiro em coisas que nem devia conhecer, fico nostálgica com coisas não vividas. No fundo – ou na superfície –, eu me encaixaria perfeitamente, assim como milhões de outras pessoas, naquele roteiro do Woody Allen, aquele mesmo que ganhou o Oscar e ele não foi buscar.
Porém, não sou insatisfeita com o meu tempo. Coloco todas as músicas da antiga pra tocarem lado a lado com as novas. Canto meus hinos todos os dias sem nem me importar se vão me achar louca por passar a vida cantarolando pelos cantos –mesmo quando morro de vergonha ao notar que fui surpreendida nas minhas cantarolices – , coloco as mulheres admiráveis pra estampar o meu espaço.
Eu não vivo de passado, mas gosto de olhar para trás, experimentar as histórias e depois contar o que aprendi. Pode me chamar de pós-moderna, dizer que não me aprofundo no passado, no presente ou no futuro. Pode dizer que eu quero tudo de uma vez. Quer saber? Eu quero mesmo.
Love, Tary
P.S: Dedico esse post a uma certa pessoa que ficou me atormentando no Facebook para postar. Qualquer reclamação sobre a qualidade do texto, favor trollar aqui.
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Simplesmente feliz
"Simplesmente feliz" conta a história de Poppy, uma professora de 30 anos que está sempre sorrindo e, mesmo em situações adversas, não perde a alegria de viver. Sua bicicleta é roubada e não faz o menor escândalo, só se chateia por não ter tido tempo de se despedir e resolve aproveitar a situação para aprender a dirigir. Quando vê dois de seus alunos brigando, apenas pergunta se o garoto agredido está bem e se concentra no "valentão", tentando descobrir a origem de sua raiva. E no meio de tudo é confrontada pela irmã grávida e tem que conviver com um instrutor de direção amargo e pessimista, exatamente seu oposto.
domingo, 17 de outubro de 2010
Saldo dos últimos dias
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Etapas importam
Tudo isso me lembra Click, comédia estrelada por Adam Sandler em 2006. No filme, Michael Newman, o personagem de Sandler ganha um controle remoto universal que lhe possibilita o comando total de sua vida, avançando e voltando no tempo conforme suas vontades. Inicialmente, Michael se diverte com a bugiganga, afinal, quem não quer ultrapassar os momentos chatos e difíceis da vida, não é mesmo? Mas é óbvio que o lazer dura pouco. O personagem passa a viver no piloto automático, excluindo as pessoas que ama, se direcionando para o fim de sua vida sem perspectivas, sem aprendizados, sem saber o que esperar.
Certamente que todos gostariam de não sentir dor, de não passar por momentos constrangedores e chatos, de poder controlar o tempo, o espaço, a memória. Sempre pensamos e desejamos obter o total controle de nossos destinos, mas pular etapas não é um bom negócio e não corresponde a ordem natural das coisas.
Lembro de um episódio de Grey's Anatomy onde Abigail Breslin interpretava uma garotinha que não sentia dor física e, por consequência, não sabia quando tinha algo errado em seu organismo, o que causa hemorragias internas e um caos em seu corpo. Na sala de operação, a sempre sábia Dra. Bailey - minha personagem favorita na série - diz uma frase que ilustra perfeitamente a importância de deixarmos as coisas acontecerem: "As pessoas se esquecem de que sentimos dor por um motivo". Verdadeiro, hein?
Acredito que cada segundo de nossas vidas tem um propósito maior do que apenas existir, todas as etapas são importantes. Talvez dormir e acordar no Natal não seja um escape dos acontecimentos ruins, mas uma fuga covarde. O mantra continua, mas apenas da boca pra fora, não é preciso pular etapas para ser feliz.
Love, Tary
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Lágrimas
Chorei esperando que você visse que aquelas lágrimas eram tão suas quanto minhas. Chorei porque não podia mais aguentar sozinha. Chorei de uma alegria tão verdadeira que doía por dentro. Chorei de emoção. Chorei porque só podia chorar. Chorei porque sorrir não era suficiente.
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Pequeno desabafo
Love, Tary
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Uma Nova Alice
Não que Alice não acreditasse no amor. Ela acreditava que um dia fosse encontrar alguém que a amasse, alguém que a fizesse ouvir a canção mais linda do mundo quando a tocasse. Alguém que tomasse seu coração, seus sentidos, seus horários. Alguém que mudasse sua vida.
Mas mais do que no amor, ela acreditava na liberdade. No direito que tinha de fazer o que bem entendesse, de usar as roupas que quisesse, de ser ela mesma. Mais do que no amor, acreditava em nunca desistir dos seus objetivos por pessoa alguma, quem quer que fosse.
Um dia, entretanto, sem razão aparente, Alice teve um sonho. Um sonho em que estava solitária, com o coração seco e quebradiço como o esqueleto de Raymond Dufayel, do seu filme favorito, O Fabuloso destino de Amélie Poulain. Calada, olheiras abaixo dos olhos, muito velha, melancólica e infeliz. Infeliz. Uma coisa que nunca havia sido. Nem por um dia inteiro nem por uma semana. Ela se orgulhava em ser alegre e em transbordar sorrisos por onde passava. No sonho, entretanto, Alice era a personificação da dor.
Assim que acordou, assustada, a garota tomou uma decisão muito simples, mas muito importante para ela: Abrir o coração. Não poderia permitir nem em um milhão de anos que aquele sonho se tornasse real, nada poderia ser pior que estar eternamente sozinha.
Levantou, abriu a janela, olhou para o espetáculo intenso do sol nascendo e sentiu que, junto dele, também nascia uma nova Alice.
Voltei de viagem em cheque. Foi tudo muito bom e divertido, mas não era o que eu precisava. Preciso de paz, de um tempo só meu pra organizar tudo aqui dentro. Estou um pouco confusa e me acostumando com "A Nova Tary" que ameaça despontar, mas feliz, feliz mesmo, por saber qual caminho seguir.
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
O dia em que virei Don Lockwood

I'm Singin' in the Rain, just Singin' in the Rain
No filme, o personagem de Gene Kelly, está todo feliz por estar apaixonado por Kathy Selden e pelo beijo recebido à porta da casa dela. Bom, eu não estou apaixonada por ninguém, mas a sensação de dançar e cantar na chuva, foi de completa paixão. Paixão pela vida.
A minha alegria era tanta, que os trovões me pareciam risos roucos e as nuvens cinzentas eram mais bonitas e poéticas que o próprio sol. Dava pra ver em cada gotinha da chuva que embaçava meus olhos, um pouquinho da infância, um pouquinho daqueles dias em que tomar banho de chuva era uma brincadeira corriqueira.
Enquanto eu estava na chuva, papai assistia futebol na televisão e nem percebeu que sua filha estava na varanda, cantando e dançando, como se o amanhã fosse ilusão. Agora pouco, enquanto estava escrevendo este post, mammys chegou e me perguntou porque meu pijama estava estendido lá fora, todo molhado. Com uma risadinha boba, respondi:
- Ah, mãe é que hoje eu tomei banho de chuva.
Ao que ela respondeu, também sorrindo:
- Que gostoso! Também queria ter tomado...
É assim. Podemos crescer, trabalhar, ter um monte de responsabilidades, mas no fundo sempre queremos sentir o gosto dos nossos dias de criança nem que seja um pouquinho. Seja comendo a comida da vovó, seja lendo uma agenda velha cheia de adesivos coloridos, seja subindo numa árvore, seja tomando banho de chuva. Talvez porque alguns de nós nunca deixam de ser um pouco criança, ou talvez porque olhar nossos dias com olhos infantis, torne a vida perfeita.





