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sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Seja como for, eu vou

Escrevi no Facebook e no meu journal, mas não parecia certo começar 2016 sem tirar a poeira deste blog e falar um pouquinho sobre o ano que passou. Ainda mais considerando que hoje completo seis (seis!!!) anos de Doces Rodopios. Posso ter passado grande parte desse tempo desaparecida, é verdade, mas sempre voltei. Sempre volto. E hoje dou sinal de vida pra dizer que mal posso acreditar que 2015 finalmente chegou ao fim. Foi um ano difícil, cheio de altos e baixos, repleto de tragédias e escândalos. Porém, no que diz respeito à minha humilde vidinha, estes 365 dias foram muito importantes. Olhando para trás, parece que vivi mil vidas.

Comecei o ano pedindo demissão e passei meses sem saber o que raios iria fazer em seguida. A expressão “mixed feelings” nem começa a descrever o que aconteceu dentro de mim depois desse passo gigantesco. E no fim das contas, os patos se enfileiraram. Decidi atravessar o mundo em busca de mim mesma. Semprei sonhei em fazer intercâmbio e aproveitei esse momento de dúvidas angustiantes (sério, eu tava enloquecendo) pra realizar esse desejo. Sabe quando você sente que, se não fizer algo “agora”, talvez nunca mais tenha essa chance?

Mas antes de desembarcar em Dublin, a missão de surpreender a noiva do ano precisava ser cumprida. Eu e minhas amigas alugamos um apartamento no Rio de Janeiro, fomos juntas para a balada (pela primeira vez, já que sempre preferimos bater papo de pijama) com coroas típicas de despedida de solteira, ostentamos bolo e champanhe e passeamos na Urca <3 (não consigo escrever Urca sem colocar um coração do lado, me perdoem). E em junho, Couthinha casou. Na cerimônia mais linda que meus olhos já viram. Nós fomos damas, seguramos buquês e choramos horrores, como esperado. Ainda não consigo explicar o que aconteceu naquele dia. Parece um sonho que sonhamos em conjunto. E de certo modo, foi mesmo.

Então, depois de alguns dias, meus pés tocaram a Ilha Esmeralda. O último texto traz um bom resumo dos meus primeiros 100 dias aqui, mas teve muito mais. Um Halloween de verdade, com todo mundo fantasiado nos pubs do Temple Bar. Caminhadas de mais de 30 quilômetros em busca de emprego. O fim do meu curso de inglês. Trabalho voluntário. A decisão mais difícil que já tomei em 24 anos. Um Natal longe de casa com direito à ceia farta, amigos pra vida inteira e o coração quebrado de saudades.

E tem quem pense que intercâmbio é glamour. Essa experiência tem mais suor, lágrimas, bolha no pé e dor de cabeça do que as pessoas imaginam. É um tal de passar a semana comendo porcaria porque não dá tempo de almoçar em casa (e nem se tem dinheiro pra comer bem em algum restaurante). Não fazer coisas simples, que no Brasil faziam parte do cotidiano, como comprar uma roupa só porque achou bonita, ou pegar um táxi só porque está chovendo muito. Intercâmbio é sacríficio. É escolher prioridades. É poupar hoje pra ter amanhã. Não é fácil estar aqui. E mais difícil ainda foi escolher ficar mais um pouco. A saudade da minha família aperta tanto que às vezes sinto vontade de pegar um avião e correr para os braços de quem mais amo nesse mundo. Ficar é colocar em prática o exercício da renúncia todos os dias, mas também significa abraçar uma vida que só posso ter aqui. E que vai ficar aqui quando eu voltar.

Ah, só mais uma coisa. No dia 31 de março, em pedaços, eu postei o seguinte: “(…) nunca quis tanto: escrever, me apaixonar e viajar por aí. Apesar de não me considerar boa ou preparada o suficiente para nenhuma dessas coisas.” E adivinhem só? Todas essas coisas aconteceram em 2015. Eu continuei documentando tudo no papel (completei um ano mantendo um journal), estou morando na Irlanda há seis meses e… me apaixonei. Foi bem diferente dos filmes da Disney (essas músicas dizem tudo, caso alguém esteja curioso) e passou longe de se tornar amor, mas não me arrependo de absolutamente nada. Pelo contrário, tenho certeza de que tudo o que me permiti viver (e sentir) vai refletir no “daqui pra frente”. Já dizia o Poetinha que o amor da nossa vida é feito de todos os outros que a gente teve.

Terminei 2015 me sentindo grata, infinita e, principalmente, orgulhosa de mim. Eu provei  que consigo me virar. Me dei um voto de confiança. Acreditei que podia. Nunca corri tantos riscos em tão pouco tempo. Tive que driblar a indecisão e fazer escolhas complicadas. Experimentei o gosto da coragem e pedi mais. Chorei, sofri, me perdi, mas meu Deus do céu, como eu vivi.

Se a Taryne do futuro tivesse contado para a Taryne do passado tudo o que a aguardava, ela provavelmente morreria de rir, incrédula. Não faço a menor ideia do que 2016 me reserva. Só quero aprender ainda mais. Colecionar memórias bonitas e experiências desafiadoras nessas páginas em branco que agora parecem tão intimidadoras. Mas seja como for, eu vou. Estamos indo. Boa jornada para todos nós!

Alguns dos melhores momentos de 2015

Love, Tary

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Eu gosto do gosto da coragem

Faz meio ano que não escrevo aqui. Parece exagero dizer isso, eu sei. Mas é a verdade. Seis meses desde o último post. Quem acompanha minha vida somente através deste blog não faz ideia do que raios aconteceu desde março de 2015. E, meu Deus, aconteceu tanta coisa. E quanto mais o tempo passou, mais coisas foram acontecendo e aí só ficou mais difícil voltar. Não sei se existe um breve resumo possível, mas vou tentar. Em abril, eu decidi que era a hora certa de fazer um intercâmbio. E do momento em que fechei o contrato com a agência até a data da minha viagem foram menos de 45 dias.

Vocês conseguem imaginar a quantidade de sentimentos que fizeram a festa dentro de mim durante esse período? Nem tive muito tempo para processar todos eles. No dia 26 de junho, por mais louco que isso ainda me pareça, eu desembarquei em terras irlandesas. Isso mesmo. Estou vivendo em Dublin há quase quatro meses. Mas a sensação é de que já estou na Ilha Esmeralda há um ano. Tudo é tão intenso nesse lugar. Parece uma realidade paralela onde cada acontecimento é amplificado ao extremo. Amizade de duas semanas vira irmandade. Aniversário longe da família é a pior das mortes horríveis. Você vê o fim do mundo algumas vezes e, horas depois, se sente capaz de alcançar o céu.

Lembram da garota com uma bebida na mão e um sorriso no rosto, que se joga na pista de dança como se ninguém estivesse olhando? Ela apareceu muito por aqui. Descobri que gosto tanto de sair pra me divertir quanto de ficar em casa vendo filme com as minhas flatmates. Existe lugar para as duas coisas e nenhuma precisa valer mais do que a outra. Eu entendi que sei me virar muito bem sozinha. Compro e preparo minha própria comida todos os dias. Uso o GPS ao invés de ligar para o meu pai. Vou a pé para todos os lugares que pretendo ir. Divido um flat com outras duas pessoas que conheci aqui. Só dependo de mim mesma. E isso traz um frescor de liberdade que todo mundo precisa experimentar.



Em 100 dias de Irlanda eu aprendi que não dá pra se sentir totalmente seguro em lugar nenhum do mundo, mas isso não pode me impedir de voar. Aprendi que posso me permitir gostar de alguém e viver isso sem medo. Fazer e dizer o que achar que devo, mesmo que as coisas terminem do mesmo jeito que começaram: por acaso. Prefiro as lembranças de beijos na chuva do que meu coração protegido de antes. Passei anos prometendo a mim mesma que iria sair de casa e viver. Isso nunca foi tão real quanto é agora.

Eu vi um show do Ed Sheeran depois de uma loucura pra conseguir o ingresso  e chorei ao escutar Tenerife Sea ao vivo. Adicionei os Cliffs of Moher à minha lista de “coisas mais lindas do mundo”. Me apaixonei pelos parques de Dublin. Tirei uma selfie com o Oscar Wilde. Encontrei num livro a descrição do lugar sombrio em que eu havia acabado de colocar os pés. Entreguei flyers por 20 euros e uma pizza. Vivi momentos dignos de comédias românticas com protagonistas destrambelhadas. Precisei lidar com várias despedidas. Além de intenso, tudo acaba sendo muito efêmero no intercâmbio. Pessoas que entram e saem das nossas vidas. O bonito é que muitas delas deixam marcas inesquecíveis.

Sinto falta do Brasil. Não tenho o quarto da minha irmã ao lado do meu. Nem abraço de mãe quando as coisas dão errado. Nem meu pai me chamando de “branca”. Mas me sinto forte. Não sei como. Não sei de onde vem. Vou superando cada obstáculo que insiste em supor que eu não deveria ter vindo. Eu sei que, neste momento, meu lugar é aqui. Aqui, onde eu aprendo a cada dia. Aqui, onde eu às vezes olho em volta e nem acredito. Uma aventura que eu não fazia ideia de que iria escrever este ano e já acumula tantas páginas. As folhas em branco me assustam um pouquinho, eu admito. Ainda não sei qual vai ser a história que elas vão abrigar. Acordo e vou dormir com um milhão de dúvidas na minha mente. Só sei que provei uma boa colherada dessa tal de Coragem e quis repetir. Eu descreveria o sabor como agridoce. Nem sempre acordo cedo, ou me sinto ótima, mas com certeza a melhor viagem é seguir a trilha que eu abri.




Love, Tary

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Melancolia conformista

Já me conformei em gostar de certas coisas que me doem. Parece masoquista apreciar algo que gera um pequeno sofrimento, mas minha pretensão nunca foi ser normal mesmo. Por isso, deixo claro neste exato momento que acho melancolia uma palavra extraordinária. Uma das poucas que expressa seu significado em cada sílaba. Experimente sussurrar ‘melancolia’ em alguma madrugada dessas e me diga se o som também não é dolorido na medida certa.

Sei exatamente quando ela me atinge porque vem de mãos dadas com um certo conformismo que não me é característico, mas que acaba me deixando serena. Acho que aprendi a  conviver com a melancolia porque a dor é suportável e vem carregada de criatividade. Faz com que eu olhe pra dentro de mim. A tristeza pura e simples não me deixa esperançosa nem me empurra pra frente. Mas a melancolia me faz ter vontade de pintar os lábios com meu melhor batom e jogar por cima da cabeça o vestido que mais me cair bem. Os olhos não estão alegres como costumam ser, mas a cabeça fervilha.

Melancolia é aquele vento frio que me faz abraçar a mim mesma e fechar os olhos como num pedido. É jogar o cabelo na direção contrária e sorrir aquele sorriso triste que não é destinado pra ninguém a não ser pra você mesma. A melancolia me faz ouvir os discos da Legião Urbana de cabo a rabo enquanto encaro o teto do meu quarto. Me faz mais bonita na minha solidão. Como se eu fumasse um cigarro na sacada de casa sem fumar nada nem ter sacada em casa. Como se eu vivesse mil vidas dentro de um só corpo. A melancolia dói, mas impulsiona. Fere, mas também ajuda a cicatrizar. É uma parte mais triste da gente, sim. Mas uma parte que precisa existir.

Maria Lúcia aprova esse post

Love, Tary

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Eu te avisei: vai à luta

Enquanto olho para o meu quarto bagunçado me pego pensando no quanto a vida é imprevisível. Num dia a gente tem total certeza de quem é, do que quer e para onde está indo. Vinte e quatro horas depois, seu destino não está mais nas suas mãos e não há nada que você possa fazer quanto a isso. Alguns de vocês podem dizer que o controle é nosso. Somos nós que apertamos os botões, avançamos, paramos, desligamos. Mas a verdade é que várias forças interferem no processo e nós nos conformamos muito facilmente. Porque o conformismo é simples, não exige tentativa e erro nem tentativa e acerto. Se o conformismo fosse gente, seria aquela vizinha carrancuda que não responde seu bom dia e ainda fala mal de você pelas costas.

Mudar é que é complicado. Desistir quando não está se divertindo mais é que é corajoso. Ficar parado olhando o mundo girar e não levantar os braços para sentir a brisa é a verdadeira covardia. Crescer não significa abdicar de tudo, se contentar com tudo e aceitar tudo. Crescer é não deixar nunca de torcer o nariz para o que te faz infeliz. Crescer é dar a cara à tapa pelo menos uma vez para não ter que contar para os netos que teve medo de todos os riscos que apareceram pela frente. E por mais contraditório que pareça, crescer é saber a hora de virar criança. Colocar os pés pra cima e adivinhar o desenho das nuvens sem medo de parecer idiota. Se a perseverança fosse gente, seria aquela priminha que agarra sua mão e pede: “Não vai embora agora, brinca mais um pouquinho!”.

Ao olhar para o meu quarto bagunçado esperando – ironicamente - que eu dê uma de adulta e arrume a confusão antes que ela me engula, me dou conta de uma coisa espantosa: ainda tenho muito a crescer. Preciso aprender um bocado, apanhar um bocado, chorar um bocado. Ainda tenho muito a viver. E eu vou. O que me move é olhar para o espelho e não enxergar uma ressentida que abandona a essência como se nada fosse e joga os princípios no lixo. Vejo uma menina que não sabe ainda o que pode esperar do futuro e se sente um bocado perdida, mas vai à luta. É difícil. Leva tempo. A vida é imprevisível. Mas dizem que em algum momento eu vou ter certeza de que não foi em vão.

yep

Love, Tary

terça-feira, 3 de julho de 2012

Sem título, com sentimento

Às vezes a vida te leva  a uma espécie de vazio. E, quase sempre, isso é exatamente aquilo que você precisa: ficar quieta por um tempo para finalmente descobrir uma coisa ou duas sobre sentimento. Isso mesmo. Sobre as coisas que você sente e que acabam sendo responsáveis por metade das suas atitudes. Porém, por mais que isso seja importante para seu crescimento pessoal, o processo é incrivelmente doloroso.

Dói tanto e a confusão é tão grande que você se esquece até mesmo de quem é, das coisas que gosta e da coragem que batalhou para conquistar. Nesses momentos, parece que pegaram toda a angústia, as dúvidas e  seus sonhos estúpidos e bateram no liquidificador. Aí colocaram em um copo de cristal e te enfiaram goela a baixo sem nem perguntar se você queria mesmo experimentar.

Então você começa a sentir aquele aperto no peito e também o bolo na garganta que antecedem o choro. Mas as lágrimas não saem. E a única coisa que te faz acordar todas as manhãs e passar por isso é a certeza de que vai passar. De que é normal e de que você vai estar mais forte quando acabar. E vai mesmo.

Porque aprender sobre os próprios sentimentos não é fácil e ninguém sabe tudo sobre isso. Não existe receita. Estudiosos, números e pesquisas jamais conseguirão explicar essas fases em que tudo o que a gente quer é dormir  ou viajar pra bem longe até que as dificuldades tenham sido vencidas. Só que ninguém é capaz de te conhecer mais do que você mesmo. E a sua vida não vai parar e esperar um momento em que você esteja preparado. Aliás, o vazio vai te pegar exatamente quando você estiver mais frágil.

Mas não se preocupe. Quando tudo terminar, você  vai voltar a se reconhecer. Não vai ter mais que procurar motivos para sorrir: as razões estarão ali, dentro de você. Vai passar, confie em mim. Você vai precisar de abraços, paciência e de muitas pessoas que te digam isso várias vezes por dia, mas vai. E quando acontecer, as lágrimas finalmente vão se sentir livres para sair e  uma sensação de anestesia vai invadir o seu corpo inteiro. Essa fase será lembrada como são lembradas todas as fases. Suporte com tudo o que puder porque no final, acredite em mim, você será toda sentimento. Até lá, apenas seja forte.

Love, Tary

P.S: Esse texto faz parte de um meme chamado ‘Recicle o título’. Eu deveria pegar o título de uma blogueira, escolhida através de sorteio, e escrever um texto baseado nele. Depois revelo a dona desse título lindo.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Figurante do Woody Allen

Gosto de coisas antigas. Filmes em preto e branco, livros clássicos, músicas. Meu cantor favorito já se foi há mais de 20 exageros, um ano antes de eu nascer, o que me enche de tristeza como se tivesse ido a todos os shows, conhecido pessoalmente, pegado autógrafo e tirado foto.

As canções favoritas da minha vida, meus dois hinos, meus dois mantras também são de outra época, tocaram primeiro em quartos sem internet nem televisão. Adoro sair pra dançar, mas não me importo em ficar em casa fazendo da minha cama o meu mundo, bem 90 aninhos, escrevendo cartas e desenhando corações.

Admiro mulheres de outros tempos, algumas lá da Idade Média, me inspiro em coisas que nem devia conhecer, fico nostálgica com coisas não vividas. No fundo – ou na superfície –, eu me encaixaria perfeitamente, assim como milhões de outras pessoas, naquele roteiro do Woody Allen, aquele mesmo que ganhou o Oscar e ele não foi buscar.

Porém, não sou insatisfeita com o meu tempo. Coloco todas as músicas da antiga pra tocarem lado a lado com as novas. Canto meus hinos todos os dias sem nem me importar se vão me achar louca por passar a vida cantarolando pelos cantos –mesmo quando morro de vergonha ao notar que fui surpreendida nas minhas cantarolices – , coloco as mulheres admiráveis pra estampar o meu espaço.

Eu não vivo de passado, mas gosto de olhar para trás, experimentar as histórias e depois contar o que aprendi. Pode me chamar de pós-moderna, dizer que não me aprofundo no passado, no presente ou no futuro. Pode dizer que eu quero tudo de uma vez. Quer saber? Eu quero mesmo.

Love, Tary

P.S: Dedico esse post a uma certa pessoa que ficou me atormentando no Facebook para postar. Qualquer reclamação sobre a qualidade do texto, favor trollar aqui.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Simplesmente feliz


Hoje assisti um filme que me fez refletir sobre muitas coisas, até tirei estes prints de uma das minhas sequências favoritas, pertinho do final. A verdade é que estou ensaiando aparecer há tempos e nunca imaginei - não mesmo - fazer isso depois de assistir "Simplesmente Feliz". Principalmente porque esta não é a fase mais simples nem mais feliz da minha vida.

"Simplesmente feliz" conta a história de Poppy, uma professora de 30 anos que está sempre sorrindo e, mesmo em situações adversas, não perde a alegria de viver. Sua bicicleta é roubada e não faz o menor escândalo, só se chateia por não ter tido tempo de se despedir e resolve aproveitar a situação para aprender a dirigir. Quando vê dois de seus alunos brigando, apenas pergunta se o garoto agredido está bem e se concentra no "valentão", tentando descobrir a origem de sua raiva. E no meio de tudo é confrontada pela irmã grávida e tem que conviver com um instrutor de direção amargo e pessimista, exatamente seu oposto. 

Querem saber a verdade? A alegria de Poppy irrita. Nos primeiros minutos é impossível conter o revirar de olhos e a vontade de desligar a televisão. E é por isso que jamais recomendaria sem reservas, afinal, "Simplesmente feliz" não é um filme para todos. Mas, honestamente? Deveria ser.  

Sob o disfarce de "comédia leve" se esconde um trabalho profundo que, além da felicidade, trata das escolhas que fazemos em nossas vidas depois de adultos, revelando sutilmente o quanto é difícil crescer sem perder a real essência, a personalidade. O quanto é difícil não se desculpar por ser quem é. E, finalmente, o quanto é difícil não ter vergonha de ser feliz mesmo que suas atitudes e sua maneira de encarar a vida sejam mal vistas pelos outros.


Tenho que discordar de Allison Reynolds. Quando você cresce, seu coração não morre. Existem mais responsabilidades, a visão das coisas muda, mas os sentimentos ainda estão lá e depende de cada um escolher a felicidade ao invés da amargura. Prefiro a visão de Poppy e sua amiga: É difícil ser adulto, é mesmo uma longa viagem, mas fazemos nossa própria sorte. Bom, alguns de nós. Outros deixam a oportunidade passar. 

"Está ficando tarde e eu tenho medo de ter desaprendido o jeito. É muito difícil ficar adulto."

"Eu tenho repetido que, no que depender de mim, me recuso a ser infeliz!"

(Caio Fernando Abreu)

Love, Tary

domingo, 17 de outubro de 2010

Saldo dos últimos dias

+ 1 blusa fofinha
+ 1 jeans 
+ 1 perfume novo
+ 1 vestidinho baphônico
+ 3 dvd's  - Antes do Amanhecer, Frida e Simplesmente Amor
+ 3 livros - Messalina, Antes de Morrer e O Livro de Ouro da Mitologia
+ 1 pacote de tubes 
- 1 pacote de marshmallow
+ 2 idas ao cinema - Comer, rezar e amar & A Lenda dos Guardiões
+ 3 maratonas de séries - The Middle, Friends e Dexter
+ 1 noite do pijama 
- 1 emprego 

Tenho vinte reais na carteira, estou sem emprego desde a penúltima sexta-feira - o que não é algo que eu queira comentar, apesar de ter levado melhor do que imaginava - e, óbvio, abandonei o blog. Tem sido muito mais fácil ligar o computador apenas para ver séries incríveis que me fazem esquecer meus sentimentos bagunçados do que escrever sobre eles. E eles estão mesmo uma bagunça. Por isso não briguem comigo se eu me esquecer de passar por aqui e responder comentários - ainda mais com o fim do semestre e do ano (graças a Deus!) se aproximando. Mas juro que vou tentar voltar direitinho mesmo que demore um pouquinho. Preciso parar de escrever em post-its e organizar minha vida de verdade. 

Love, Tary

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Etapas importam

Em todos os momentos complicados da minha vida, fico repetindo alguns mantras que se não ajudam de fato, pelo menos permitem que eu pare, respire e desabafe. De todos eles, acredito que o mais famoso seja o seguinte: "Queria dormir e só acordar no Natal." É. Ok, vamos admitir que seria de fato prazeroso não ter de passar por todas as provas, desgastes, sofrimentos e angústias de um ano inteiro e acordar apenas na minha data favorita do ano, mas será que eu nunca parei para pensar nas coisas que perderia? Nas pessoas que deixaria de conhecer, nas experiências que deixaria de viver, nos ensinamentos que jogaria fora?

Tudo isso me lembra Click, comédia estrelada por Adam Sandler em 2006. No filme, Michael Newman, o personagem de Sandler ganha um controle remoto universal que lhe possibilita o comando total de sua vida, avançando e voltando no tempo conforme suas vontades. Inicialmente, Michael se diverte com a bugiganga, afinal, quem não quer ultrapassar os momentos chatos e difíceis da vida, não é mesmo? Mas é óbvio que o lazer dura pouco. O personagem passa a viver no piloto automático, excluindo as pessoas que ama, se direcionando para o fim de sua vida sem perspectivas, sem aprendizados, sem saber o que esperar.

- Eu tenho o poder, cara!!!! - É... não.

Certamente que todos gostariam de não sentir dor, de não passar por momentos constrangedores e chatos, de poder controlar o tempo, o espaço, a memória. Sempre pensamos e desejamos obter o total controle de nossos destinos, mas pular etapas não é um bom negócio e não corresponde a ordem natural das coisas.

Lembro de um episódio de Grey's Anatomy onde Abigail Breslin interpretava uma garotinha que não sentia dor física e, por consequência, não sabia quando tinha algo errado em seu organismo, o que causa hemorragias internas e um caos em seu corpo.  Na sala de operação, a sempre sábia Dra. Bailey - minha  personagem favorita na série - diz uma frase que ilustra perfeitamente a importância de deixarmos as coisas acontecerem: "As pessoas se esquecem de que sentimos dor por um motivo". Verdadeiro, hein?

Acredito que cada segundo de nossas vidas tem um propósito maior do que apenas existir, todas as etapas são importantes. Talvez dormir e acordar no Natal não seja um escape dos acontecimentos ruins, mas uma fuga covarde. O mantra continua, mas apenas da boca pra fora, não é preciso pular etapas para ser feliz.

Love, Tary

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Lágrimas

Eu já chorei por muitos motivos. E já chorei sem motivo algum. Chorei vendo filmes, imaginando se aqueles amores realmente são possíveis. Chorei lendo e relendo livros inesquecíveis, molhei as páginas de afeto e de angústia. Chorei ouvindo aquela canção capaz de me traduzir em melodias.

Chorei depois de me machucar fazendo travessuras que já nem lembro direito quais foram. Chorei porque brigaram comigo injustamente. Chorei pelos outros. Chorei pelas dores de dentro, pelas dores de fora, pelas dores que eu demonstro e por aquelas que escondo até de mim mesma.

Chorei voltando de uma festa com os olhos borrados e o coração tremendo de arrependimento. Chorei 10 minutos por alguém que nunca mais permiti que me fizesse chorar. Chorei horas e horas por aqueles que partiram e ainda choro quando a saudade aperta o peito. Chorei de exaustão, de cansaço, de medo. Chorei no colo da minha mãe e por alguns segundos voltei a ser uma criança.

Chorei no banho enquanto minhas lágrimas se confundiam com a água do chuveiro. Chorei até dormir, ensopando o travesseiro com minhas dúvidas. Chorei no ponto de ônibus porque não sabia qual caminho tomar.

Chorei esperando que você visse que aquelas lágrimas eram tão suas quanto minhas. Chorei porque não podia mais aguentar sozinha. Chorei de uma alegria tão verdadeira que doía por dentro. Chorei de emoção. Chorei porque só podia chorar. Chorei porque sorrir não era suficiente.

Chorei porque vivi. E sigo chorando. E sigo vivendo.


Love, Tary

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Pequeno desabafo

 Escrevi hoje no quadro negro da sala de aula

Sempre fui muito minha, muito dentro de mim mesma, muito introspectiva. Mas agora está tudo tão confuso, tão diferente. Estou como naquela música da Adriana Calcanhotto, Metade, em milhares de cacos, ao meio, não morando mais em mim. Me sinto pequena e frágil, acompanhando a minha vida como se fosse a vida de outra pessoa, como se eu fosse coadjuvante da minha própria história. Meus olhos estão esquecidos e vivem afogados, meus sorrisos não tem a mesma poesia de antes, meus rodopios agora são programados porque eles me deixam pensar que sou racional, fazendo parecer física  e não apenas imaginária a sensação de que minha alma está desligada do corpo. Eu preciso de mim. Quero meus olhos, meus sorrisos e meus rodopios de volta.

P.S: É o fim de semestre que me desencontra de mim mesma, minha gente. Férias, cheguem logo!

Love, Tary

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Uma Nova Alice

Um dos maiores medos de Alice era que seu coração fosse tomado por aquele sentimento estranho: o amor. Ela olhava para suas amigas apaixonadas, agindo feito bobas, só falando sobre os namorados e pensava em como era bom não ser como elas. Em como era bom ser livre, ter o cérebro ocupado por coisas que não fossem homens ou o quanto eles eram relevantes em sua vida.
 
Não que Alice não acreditasse no amor. Ela acreditava que um dia fosse encontrar alguém que a amasse, alguém que a fizesse ouvir a canção mais linda do mundo quando a tocasse. Alguém que tomasse seu coração, seus sentidos, seus horários. Alguém que mudasse sua vida.

Mas mais do que no amor, ela acreditava na liberdade. No direito que tinha de fazer o que bem entendesse, de usar as roupas que quisesse, de ser ela mesma. Mais do que no amor, acreditava em nunca desistir dos seus objetivos por pessoa alguma, quem quer que fosse.

Um dia, entretanto, sem razão aparente, Alice teve um sonho. Um sonho em que estava solitária, com o coração seco e quebradiço como o esqueleto de Raymond Dufayel, do seu filme favorito, O Fabuloso destino de Amélie Poulain. Calada, olheiras abaixo dos olhos, muito velha, melancólica e infeliz. Infeliz. Uma coisa que nunca havia sido. Nem por um dia inteiro nem por uma semana. Ela se orgulhava em ser alegre e em transbordar sorrisos por onde passava. No sonho, entretanto, Alice era a personificação da dor.

Assim que acordou, assustada, a garota tomou uma decisão muito simples, mas muito importante para ela: Abrir o coração. Não poderia permitir nem em um milhão de anos que aquele sonho se tornasse real, nada poderia ser pior que estar eternamente sozinha.

Levantou, abriu a janela, olhou para o espetáculo intenso do sol nascendo e sentiu que, junto dele, também nascia uma nova Alice.


Voltei de viagem em cheque. Foi tudo muito bom e divertido, mas não era o que eu precisava. Preciso de paz, de um tempo só meu pra organizar tudo aqui dentro. Estou um pouco confusa e me acostumando com "A Nova Tary" que ameaça despontar, mas feliz, feliz mesmo, por saber qual caminho seguir.
Love, Tary.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

O dia em que virei Don Lockwood


I'm Singin' in the Rain, just Singin' in the Rain

Não parecia um dia particularmente emocionante: acordei, almocei (sim, eu sou uma dorminhoca que acorda na hora do almoço nas férias!) e resolvi que ficaria o maior tempo possível de pijama.
 
Nada melhor do que saber que não vai aparecer um trabalho surpresa da faculdade, as provas estão longe de atormentarem e que ficar em casa o dia todo procrastinando não é motivo de culpa. Estava um calor infernal e a última coisa que eu queria era ficar enfurnada no quarto, então fui para a cozinha, abri as janelas e sentei para continuar a leitura do último livro de Harry Potter. Foi aí que começou a chover.
 
Aquela chuva linda, que eu contava que acabasse com o calor. Nem pensei direito: larguei o Harry em cima da mesa, peguei meu CD de Across the Universe recém-comprado, coloquei no som portátil, levei lá pra fora e, quando a chuva tocou meus cabelos, me senti a versão feminina - e de pijamas - de Don Lockwood, o apaixonado ator de Cantando na Chuva. Claro que ao invés de Singin' in the Rain, estava cantando All My Loving embalada pela voz do Jim Sturgess, mas a sensação, tenho certeza, era a mesma.

No filme, o personagem de Gene Kelly, está todo feliz por estar apaixonado por Kathy Selden e pelo beijo recebido à porta da casa dela. Bom, eu não estou apaixonada por ninguém, mas a sensação de dançar e cantar na chuva, foi de completa paixão. Paixão pela vida.

A minha alegria era tanta, que os trovões me pareciam risos roucos e as nuvens cinzentas eram mais bonitas e poéticas que o próprio sol. Dava pra ver em cada gotinha da chuva que embaçava meus olhos, um pouquinho da infância, um pouquinho daqueles dias em que tomar banho de chuva era uma brincadeira corriqueira.

Enquanto eu estava na chuva, papai assistia futebol na televisão e nem percebeu que sua filha estava na varanda, cantando e dançando, como se o amanhã fosse ilusão. Agora pouco, enquanto estava escrevendo este post, mammys chegou e me perguntou porque meu pijama estava estendido lá fora, todo molhado. Com uma risadinha boba, respondi:

- Ah, mãe é que hoje eu tomei banho de chuva.
Ao que ela respondeu, também sorrindo:
- Que gostoso! Também queria ter tomado...

É assim. Podemos crescer, trabalhar, ter um monte de responsabilidades, mas no fundo sempre queremos sentir o gosto dos nossos dias de criança nem que seja um pouquinho. Seja comendo a comida da vovó, seja lendo uma agenda velha cheia de adesivos coloridos, seja subindo numa árvore, seja tomando banho de chuva. Talvez porque alguns de nós nunca deixam de ser um pouco criança, ou talvez porque olhar nossos dias com olhos infantis, torne a vida perfeita.