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domingo, 8 de junho de 2014

Ainda bem que somos todos diferentes

Quinta-feira passada comprei um prestígio no terminal e, assim que abri a embalagem, lembrei de quando estava na terceira série. Naquela época, cadernos de perguntas ainda estavam na moda. Uma pergunta era escrita em cada folha e o caderno passava de mão em mão. As redes sociais não existiam, então era uma boa forma de stalkearmos uns aos outros. Flertes e grandes amizades surgiam da brincadeira. E mesmo quando isso não acontecia, continuava sendo divertido para driblar a aula mais chata do dia.

Enquanto esperava o ônibus, um dos questionamentos voltou à minha mente. “Qual chocolate você mais odeia?”. Lembro que foi um choque me deparar com as respostas. Eu não conseguia entender o porquê. Até questionei algumas das minhas amigas e elas disseram apenas que era ruim, e pronto. Para minha completa incompreensão, a maioria havia respondido prestígio. Alguns até colocaram um “eca!” para enfatizar a repulsa pelo meu chocolate favorito. Pois é. Um daqueles momentos em que percebemos que até mesmo as coisas mais intocadas para nós não são apreciadas por todo mundo. As pessoas têm gostos diferentes, as pessoas são diferentes, as pessoas discordam. E isso não se trata somente de chocolate.

Falo principalmente da arte. Livros, filmes, séries, música, peças de teatro (…) Como é difícil entender quem odiou algo que você ama, ou se apaixonou loucamente por alguma coisa que você detesta. Às vezes achamos que tem algo de errado com a gente. Não analisamos direito, não destacamos os prós e contras, amamos com tanto vigor que não enxergamos os defeitos, ou odiamos com tanta paixão que as qualidades ficaram em segundo plano. Mas pode ser bem mais fácil julgar o outro lado do que olhar para o próprio umbigo, ou simplesmente aceitar que somos todos diferentes.

Quem não gostou deve ter deixado a sensibilidade em casa. Não entendeu. Não tem maturidade para compreender. Não estudou o bastante. Deve gostar mesmo é de (insira uma obra do mesmo gênero, de preferência popular, e odiada por público, ou crítica). Sem contar os comentários condescendentes sobre a personalidade (você é muito doce para gostar de um livro tão pungente) ou os xingamentos baixos. Ainda mais complicado é ser minoria (as minorias sofrem até nesse departamento, vejam vocês).  Não gostar de um livro que meio universo idolatra e fala sem parar no seu ouvido. Amar um filme sem ressalvas e todos arregalarem os olhos de pura incredulidade quando você ousa dizer isso em voz alta.

A arte é subjetiva. Tem muito a ver com quem somos, com a forma que vemos o mundo. Não há problema em sentir amor, ódio ou indiferença por qualquer produto cultural. Essas sensações são essenciais na construção de cada um, colaboram para o autoconhecimento e geram ótimas discussões. Não adianta quebrar a cabeça em mil teorias para explicar o que sentimos nem tentar alcançar o porquê da sua amiga ter se apaixonado por uma série que você abomina. Não adianta querer pensar como os outros ou tentar fazer com que eles se pareçam mais com você.

Porém, gostando ou desgostando, o mais importante de tudo isso é saber que nada nos dá o direito de rotular e diminuir as pessoas. Nada nos dá o direito de dizer que fulano é “isso” ou “aquilo” por ter amado ou odiado determinada obra. É ridículo escrever que o filme de “A Culpa é das Estrelas” foi feito para “virgenzinhas sem senso crítico”, como eu li por aí. Não gosto do livro, como vocês bem sabem, mas nunca vou apoiar qualquer ofensa ao fãs. É inadmissível vestir a máscara de pseudocult, ostentando olhar blasé e sorriso pedante, para falar que só gente superficial curtiu “O Espetacular Homem-Aranha 2”.

Não sejamos haters nem talifãs. A intolerância é capaz de destruir tudo o que existe de bonito nesse mundo. Na verdade, já destruiu muitas coisas. E cabe a nós não contribuirmos para que isso aconteça com a arte. A diversidade torna a vida mais colorida. Abre um mundo de possibilidades. Prova que somos complexos, únicos, insubstituíveis.

E faz com que sobrem mais prestígios na caixa. Ainda bem.

Love, Tary

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Bye, Skins

cass

Este texto foi escrito no dia seguinte ao último episódio da 6º temporada de Skins, mas na época, me pareceu muito piegas. Relendo, não achei tão ruim assim e resolvi postar.

Já vou avisando logo de cara que este é um dos textos mais difíceis que eu já escrevi na vida. O mais adiado, o mais complicado, o mais dolorido. Por muito tempo eu pensei que, se não escrevesse sobre isso, não seria verdade. Mas, infelizmente, é. Skins acabou. A minha série favorita - a série da minha vida - foi cancelada. E só quem já viu um dos seus seriados mais amados acabando sabe o que eu quero dizer. Minha primeira reação à notícia foi colocar a mão sobre a boca e dizer: não! Enquanto as lágrimas caíam, teimosas, e a expressão se contorcia naquela cara horrorosa que todos fazemos quando as emoções transparecem. Porque, sabe, dói demais.

Pode parecer idiota, mas quem sabe do que eu estou falando, vai me entender. Foi como me despedir das tardes, noites, madrugadas e manhãs em que eu apertava o play, jogada na minha cama, ou sentada na minha cadeira favorita e era transportada para Bristol, na Inglaterra. E, de repente, estava em uma daquelas festas intermináveis, regadas a uma bebedeira louca e embaladas por uma música boa demais pra ser verdade. Lá estava eu, pensando sobre todos os meus problemas e sobre dores minhas que antes eu nem sabia que existiam. Lá estava eu, amando personagens como se fossem reais, me identificando com a alma deles e não com suas atitudes.

Sou totalmente contra drogas e isso não me impediu de amar aquelas pessoas que ganhavam vida através de jovens atores completamente sensacionais.  Aliás, uma das coisas que mais me irritaram nesses seis anos em que assisti Skins foram as pessoas classificando a série com “sexo, drogas e rock’n roll”. É tão mais do que isso. São sentimentos tão fortes que te atingem, identificações tão profundas, tapas na cara que fazem o corpo inteiro balançar. Não dá pra dizer que Skins representa “a vida como ela é” porque não é nada disso. Existem toques de exagero e tudo é pintado com tintas bem mais vibrantes do que as cores da realidade em que a gente vive, mas uma coisa eu posso garantir: a essência está ali. Os medos, as dúvidas, as inseguranças, a morte, o amor, os sonhos, as verdades, as dores, as lágrimas, os sorrisos, as fraquezas, a força: a vida. Skins é a intensidade em sua forma mais visceral. É não conseguir dormir de ansiedade para o próximo episódio, é sofrer tanto por um personagem que seus próprios problemas acabam se tornando insignificantes.

Por isso tudo, a minha despedida ainda não acabou. Não superei, nunca vou superar. E só de ver alguém citar Skins, mesmo em um texto, ou situação que nada tenha a ver com a série em si, só consigo me lembrar que acabou. A audiência não ajudou, é fato. E os fãs da segunda geração - que é minha menos favorita de todas - só ficavam pedindo a volta de uma das personagens, boicotando a sexta - e última - temporada sem dó nem piedade. Sendo que a terceira geração de Skins foi incrivelmente bonita, bem feita e nos presenteou com alguns dos melhores episódios da história da série. Apesar de tudo isso, outra parte de mim, a mais conformada, quer acreditar que foi melhor. Que os roteiristas poderiam se perder pelo caminho e estragar tudo. Mas é uma parte muito pequena.

Dito isso e esperando que alguém ainda esteja lendo isso aqui, digo que foi importantíssimo pra mim assistir Skins durante seis anos da minha vida. Todos aqueles rostos e histórias, mesmo os que eu não gostava tanto, permanecem em mim. E eu espero que vocês todos, algum dia, sintam o que eu senti vendo Skins com qualquer outra série, livro, filme, sei lá. Até mesmo a tal dor da despedida. Porque, sabem, essa dor mostra o quanto foi tudo tão incrível. E, afinal, nós só sofremos ao dar adeus àquilo que amamos muito. E, meu Deus, como eu amo Skins.

Love, Tary

P.S: Os criadores da série estão preparando mais seis episódios para o ano que vem. Não haverá uma nova geração, mas alguns personagens que já participaram de Skins, vão fazer aparições. Não será a mesma coisa, tenho certeza. Mas teremos Cassie!

quinta-feira, 21 de julho de 2011

A louca das séries - parte II

Se já estava enlouquecendo por antecipação antes de começar a escrever esta segunda lista, imaginem a minha cara ao me deparar com um espaço em branco e várias séries implorando para serem incluídas? Que dó. Aproveitando minha recente decepção com a 2ª temporada de Glee e com a 4ª de The Big Bang Theory, vou ignorar os beicinhos das duas séries e retirá-las delicadamente da seleção. Que fique registrado, porém, que ainda não desisti. Quanto a True Blood, esperemos a 4ª temporada apresentar seu último episódio e depois manifestemos nossas opiniões. Por hora, melhor indicar apenas as sensacionais, deixando de castigo as que andam deixando a desejar. Explicações devidamente feitas, conheçam:

Minhas séries favoritas dos últimos tempos

Being Erica


Erica Strange tem 32 anos e uma vida ferrada. Sem namorado, sem emprego, família despejando cobranças e incontáveis arrependimentos na lista. No meio de tudo isso, um cara muito estranho com pinta de psicólogo (e fascinado por citações famosas) oferece uma espécie de "terapia" que consiste em voltar no tempo e fazer diferente. Ou seja, Erica tem a oportunidade de reencontrar todos os erros do passado e tentar consertá-los. Claro que muita coisa ainda dá errado de formas diferentes, mas a personagem sempre consegue aprender. É uma série bem de mulherzinha, pra assistir com a mãe (a minha adora!), suspirar e dar muitas risadas com as peripécias da protagonista. 

Community

Imagine um grupo de estudos repleto de gente diferente, onde um é mais doido que o outro, porém todos funcionam super bem juntos? Essa é Community, minha comédia favorita dos últimos tempos. Praticamente todo o santo dia lamento não ter um episódio novo para assistir (a série está em hiato até setembro, eu acho) porque essa é a minha mais recente (e obsessiva) paixão televisiva. Quem diz que "The Big Bang Theory" é a comédia nerd mais legal do mundo, nunca ouviu falar de Community. Não, você pode até não rir o tempo todo, mas se tiver o mínimo de referências da cultura pop, se divertirá horrores e se perguntará como eles conseguem escrever episódios tão geniais. Zumbis, RPG, citações de seriados ruins da tv, episódio em stop-motion, paintball, homenagem a Pulp Fiction, flashbacks hilários e outros complementos malucos: está tudo lá. Não desista nos primeiros episódios, a série só engrena na metade da 1ª temporada e na 2ª, vira a melhor coisa do mundo. Lamentável que premiações como o Emmy e o Globo de Ouro a ignorem completamente e indiquem tanto lixo.

Game of Thrones

No começo da temporada, achava Game of Thrones uma bagunça de muitos personagens que até justificava o hype na excelente produção, mas não conseguia cativar no que mais me apetece: a profundidade dos personagens. Lá pelo 5º episódio, no entanto, a série me conquistou completamente. O universo de GoT compreende sete reinos governados por um só rei. Óbvio que todo mundo ia querer um pedaço desse bolo, né? E é aí que precisa prestar atenção pra não se perder nos núcleos, já que a série possui vários clãs doidinhos pelo poder. Temos muito sangue, guerras, surpresas, alianças e como não poderia deixar de ser: uma boa dose de intrigas. Além de alguns elementos fantásticos rodeando tudo. Corre, que por enquanto só tem uma temporada com apenas dez episódios! Vale muito a pena.

Misfits

Pense no seguinte: adolescentes infratores que ganham super-poderes e estão pouco se lixando para salvar a humanidade! Eles querem mais é usar dos poderes para benefício próprio e isso é muito, muito legal.  Têm vários elementos trash, alguns episódios bizarros ao extremo, uma trilha sonora de explodir a cabeça de tão boa e é britânica. Puritanos, fiquem longe, aqui a coisa funciona mais ou menos à moda de Skins, mas com super-poderes e cada reviravolta mais animal que a outra. E, pelo amor de Deus, não me venha falar que não têm tempo pra assistir Misfits: a série têm apenas duas temporadas contendo seis episódios cada uma! 

Parks and Recreation

Sabe aquela comédia cuja propaganda passa direto na Sony e você nunca pensou em assistir por parecer chatinha? Assim começa minha história com Parks and Recreation, que na verdade é totalmente hilária. Conta a história dos integrantes de um departamento subestimado dentro do governo de uma cidadezinha ainda mais subestimada. Temos a vice-presidente idealista, o presidente que prefere comer um bife gigante do que atender os chamados da população, a estagiária que não faz absolutamente nada e por aí vai. Pode até não parecer engraçado, mas confie em mim: é de chorar de rir. Todo mundo critica a 1ª temporada, eu gostei bastante, mas admito que as duas seguintes são muito mais engraçadas. Recomendo muito!

The Vampire Diaries

O começo da 1ª temporada é horrível, a gente não aguenta mais histórias de vampiros e rola todo aquele preconceito com série da CW, mas gente eu juro pra vocês que The Vampire Diaries é muito boa. Principalmente por conseguir algo que a maioria das séries anda penando pra conquistar: fazer o telespectador mal poder esperar pelo próximo episódio. É muito divertida, os vampiros são vampiros de verdade - ninguém brilha no sol ou é mais duro de matar que o Bruce Willis -, as reviravoltas te deixam sem fôlego e eu adoro a ironia dos vilões Katherine e Damon, os melhores personagens da série. Larga de ser preconceituoso e vai se divertir.


Switched at Birth

Essa acabou de estrear e está na lista por um motivo muito simples: todo mundo merece uma fofurinha dessas na vida. A história das duas meninas trocadas na maternidade, criadas por pessoas totalmente diferentes e que resolvem unir as duas famílias para que todos se conheçam melhor simplesmente ganhou meu coração. Outro ponto positivo de Switched at Birth é abordar a deficiência auditiva, bastante negligenciada na maioria das produções. É um amorzinho!

The Big C


O câncer é uma doença terrível que já fez a minha família sofrer muito. Eu simplesmente odeio essa doença com todas as minhas forças. Quando fiquei sabendo que uma série da Showtime abordaria o assunto, relutei muito em assistir. Mas ouvi comentários do quanto  era engraçada, bonita e sutil. Calma aí, uma série sobre câncer contendo essas três características, como  assim? Pois te garanto, The Big C consegue compor esses três elementos de maneira perfeita. Tudo culpa da brilhante Laura Linney (O Show de Truman) e do resto do elenco que, entre outros nomes, conta com Gabourey Sidibe (Preciosa). Não tem nada de mórbido ou forçado, como cheguei a pensar. Risadas e lágrimas coexistem muito bem quando o texto e as atuações ajudam.

The Good Wife

Seu marido é um promotor famoso, sua família é linda e você é uma dona de casa feliz. De repente, o marido perfeito se mete num escândalo sexual e é preso por corrupção, as crianças surtam e você precisa voltar à profissão de advogada para sustentar a família. É isso o que acontece com Alicia Florrick, a protagonista de The Good Wife. E no meio dessa confusão toda com o marido (0 Mr. Big de Sex and the City), ela precisa pensar nos casos do escritório e aguentar os filhos chatinhos. Alicia é uma heroína. Ainda não acabei a primeira temporada, mas até agora não assisti nenhum episódio ruim da série. Assistam!

The Middle

O principal motivo para amar The Middle são os personagens. A família Heck é maluca, adorável, hilária e muito cativante. Eles são preguiçosos pra caramba, politicamente incorretos, mais quebrados do que tudo e se ferram tanto que chega a dar dó, mas são extremamente engraçados e peculiares. Impossível não se apaixonar por cada um deles. Especialmente por Brick, o caçula da família, aficionado por livros, completamente antissocial e fascinado por repetir a última palavra de suas frases sussurrando-as assustadoramente. Amo e nunca vou deixar de acompanhar as maluquices deles. 

Grey's Anatomy

Estou numa fase magoadinha com Grey's porque a última temporada me decepcionou um bocado (principalmente a season finale) e a criadora da série, Shonda Rhimes, anda negligenciando demais minha personagem favorita, a fodástica Dra. Miranda Bailey. Porém, nunca poderia deixar de citar os meus queridos residentes - no início, internos - do Seattle Grace. Sou completamente fissurada na dinâmica da série, adoro que os pacientes sejam uma metáfora em relação a vida dos médicos, amo até os mais chatos dos personagens e não dá pra negar: nenhuma série consegue fazer um episódio-evento tão bem quanto Grey's, basta assistir a finale da 6ª temporada. Mais que tudo, essa é uma série que nunca passa batida, sempre deixa uma reflexão.

Aos que chegaram até aqui, obrigada pela paciência e não deixem de conferir ao menos uma dessas séries excelentes, não vão se arrepender. Caso alguém se interesse, também vejo Dexter, The Walking Dead, Love Bites, Happy Endings e Modern Family. Ah, todas as comédias aqui indicadas não possuem as risadinhas de fundo que todo mundo parece odiar tanto (:

Love, Tary

terça-feira, 19 de julho de 2011

A louca das séries - parte I

Demorei bastante para escrever a respeito das séries favoritas justamente por passar tempo demais assistindo minhas séries favoritas. Sou completamente viciada nesse formato de contar histórias através de episódios de quarenta ou vinte minutos. Pensando bem, claro que eu sou. Caso contrário, por que veria 23 séries? Não há como negar: bons seriados se aprofundam muito mais no desenvolvimento de personagens do que filmes ou novelas. Por isso, quando a Renata me convidou a tagarelar sobre elas, mal pude esperar. O único problema foi decidir quais eram as preferidas. Não vou conseguir e pronto, desculpem. O máximo que posso fazer é dividir em dois posts, um contendo minhas séries favoritas de todos os tempos e outro que contenha as de ultimamente. E limite de quantidade? Não sei o que é isso. 

Minhas séries favoritas de todos os tempos


Todo mundo adora falar mal de Felicity, mas eu nem ligoesta sempre será a série que me fez gostar de séries e nenhuma outra jamais conseguirá competir com isso. Lembro de gostar desde o piloto, ficar curiosa com a garota de cabelos rebeldes recebendo um recado do garoto mais popular da escola em seu year book e mudando todo o curso de sua vida por causa disso. Ela toma coragem para se livrar dos pais opressores, vai fazer faculdade em New York, se apaixona, faz inúmeras burradas e amadurece à força. Era uma série simples, doce, sem acontecimentos bombásticos, mas com grandes citações, coadjuvantes inesquecíveis que me faziam rir horrores, chorar na mesma proporção e me apaixonar ainda mais a cada episódio. Simplesmente marcou a minha vida para sempre. Os medos, as dúvidas, a escolha da carreira, os sonhos, as decisões estúpidas. Quem nunca foi Felicity que atire a primeira pedra. 

Talvez eu tenha um fraco por séries protagonizadas por meninas com nomes exóticos, mas   Blossom é minha queridinha desde que eu tinha sete anos, assistia pelo o SBT ao lado da minha tia e esperava ansiosa pelos novos episódios. Como já escrevi aqui, a sitcom mostrava a vida de uma adolescente comum, inteligentíssima, nada bonita, mas com um coração enorme e uma família de dar inveja. Lembro de me arrumar para ir à escola enquanto acompanhava as desventuras dela, ria dos irmãos atrapalhados, do pai ciumento e da melhor amiga tagarela. Quando assisti novamente, no ano passado, me encantei de novo. Inesquecível.


Se existe uma série pra se recomendar sem medo de ser feliz, essa série é Gilmore Girls. Tenho pena de quem consegue não gostar da trajetória de Lorelai e Rory, das idas ao Luke's, das milhões de referência pop, do vício por café e de Stars Hollow, a cidadezinha mais simpática da televisão. Impossível não se emocionar com a relação das duas, querer ser amiga delas e participar de uma movie-night recheada de junkie food, tentando entender alguma coisa na rapidez daqueles diálogos. Gilmore Girls é apaixonante!


Você conhece outra série que faz rir há 40 anos? Provavelmente, não. Milhões de crianças cresceram assistindo e adorando Chaves. E mesmo sendo sinônimo de infância, Chaves é amado até hoje por ser inocente, engraçado sem fazer esforço e simplesmente adorável. Pobres das gerações que não conseguem ver graça no menino orfão desastrado, na garota levada de óculos e maria-chiquinha, no bochechudo mimado e em todos os outros personagens que fizeram dessa série tão especial para tanta gente. 


Como o próprio nome diz, The Tudors conta a história da dinastia que começa com o rei Henrique VIII, conhecido por ter se casado seis vezes, fundado uma nova religião pra validar um desses casamentos e mandado cortar a cabeça de duas das esposas. Gosto principalmente porque Henrique e suas esposas - em especial Ana Bolena - são meus personagens históricos favoritos, as interpretações são excelentes, a produção é muito boa e Jonathan Rhys Meyers é demais. Ele interpreta Henrique exatamente como deve ser: sedutor na mesma frequência em que é completamente desprezível. Pena que não continuaram a série, adoraria ver a saga de Blood Mary e Elizabeth I também. 


Se alguém me disser que não gosta de Friends, vou morrer de medo dessa pessoa. Sério. Pode até  não curtir o formato, se irritar com as risadas de fundo ou desgostar de algum dos personagens, mas se você não gosta da série, em si, existe algo de muito errado contigo, desculpa aí. É totalmente possível fazer maratonas infinitas e rir todas as vezes com as histórias desse grupo de amigos hilários. Aliás, se eu tivesse que escolher só uma série pra ver na minha vida inteira, seria Friends. E o Chandler é o melhor!


Todo mundo sabia que Skins daria as caras nessa lista, né? Desde os primeiros posts desse blog eu sempre deixei claro o quanto essa série é importante na minha vida. O fato de conter a minha personagem favorita de todos os tempos, Cassie Ainsworth, já diz muita coisa. Aliás, Skins é a única série não-cancelada que citei aqui, pois mesmo que as próximas gerações me decepcionem, vou me lembrar com carinho da primeira e da terceira. Sempre vou me lembrar do quanto a técnica e a trilha sonora são impecáveis também. Porém, mais importante que tudo, sempre vou me lembrar do quanto alguns desses personagens fazem parte de mim. Penso que se as pessoas têm um preconceito danado com Skins, ainda não se ligaram: é muito mais do que sexo, drogas e rock'n roll. Vida, amor e juventude à flor da pele. Isso é o que representa pra mim. 

Levei horas pra escrever esse post. Nem imagino quanto tempo vou demorar pra fazer o próximo. Quanto aos indicados, acho que Gab e Mayra iam gostar de responder. O combinado é listar as 10 melhores séries, mas podem roubar como eu fiz (:

Love, Tary

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

À flor da pele

Aí está um subtítulo em português bem digno e que não me irrita tanto, por assim dizer. Skins realmente retrata a juventude à flor da pele, sem máscaras, sem beleza plastificada e sem as tantas hipocrisias e clichês presentes nas demais séries teen. Na verdade, nem acho que essa definição se aplique a Skins. Claro, os personagens são adolescentes e passam por conflitos típicos - e outros bem atípicos - da adolescência, mas acredito que as histórias vão muito além disso. Os personagens são - e estão o tempo todo - nus, crus, regados a drogas e repletos de uma perdição que cabe em qualquer fase da vida. Eles são, acima de tudo, humanos. E é justamente essa humanidade que gera tanta identificação e ao mesmo tempo, tanta paixão. 

Ao meu ver, tudo começa pelo formato. Um episódio para cada personagem e que leva o nome dele, nada de protagonistas - mesmo que o público insista em escolhê-los ou que a força dramática do ator acabe, ainda que involuntariamente, decidindo o 'principal' da história -, nada de leveza, passarinhos e floreios. Uma série divida em gerações. Assim que o último ano do colegial acaba, os personagens que você aprendeu a amar se despedem e dão lugar a novas caras, a novas histórias. Sempre um estranhamento, sempre um entortar de nariz, mas principalmente, sempre uma reinvenção. 

Na primeira geração da série, conhecemos Michelle, Jal, Sid, Anwar, Maxxie, Chris, Effy, Tony e Cassie - esses dois últimos meus favoritos por razões diferentes, mas todos únicos à sua maneira. Não vou dizer que  foi amor à primeira vista. Skins só foi me ganhar mesmo no segundo episódio - justamente o da Cassie - porque foi ali que percebi a beleza da individualidade de cada um daqueles jovens. Para mim, o que faz Skins ser Skins é o fato de quase sempre conseguirmos ganhar o olhar do personagem retratado, ver o mundo como ele vê, entrar na sua pele, sentir as suas dores e confusões.

A trilha sonora também é um caso à parte, existe uma harmonia tão grande em determinados episódios que depois de assistí-los é impossível ouvir aquela música sem lembrar das cenas que embalou. Não posso ouvir Hometown Glory (Adele) sem ver a Cassie correndo sem rumo numa New York pequena demais pra ela, da mesma forma que nunca mais conseguirei dissuadir Come Pick me up (Ryan Adams) de um desencontro de trens que nunca mais deixou as coisas serem as mesmas. E sempre que meu celular tocava,  era impossível não lembrar da série, já que a versão do elenco para Wild World foi o toque do meu celular por quase três anos.
Porém, nem tudo é perfeito e desde o primeiro episódio da segunda geração já sabia que seria muito difícil aqueles novos adolescentes me cativarem tanto quanto o grupo anterior. E estava certa. Tanto na 3ª temporada, quanto na 4ª, rolou uma forçação de barra constrangedora e que ultrapassou o nonsense gostoso das temporadas anteriores e deu lugar ao ridículo. Tirando algumas tiradas, referências e diálogos memoráveis, Effy, Emily, Naomi, Thomas, Cook, Freddie, JJ, Pandora e Katie simplesmente não chegaram lá. E o pior é que mesmo quando é ruim, Skins é atraente. Mesmo quando os episódios se mostram fracos você não consegue parar de assistir.

Depois desses dois anos um tanto decepcionantes, confesso: estava extremamente apreensiva para essa 5ª temporada. Uma terceira geração, novo elenco. "Fuck it", com certeza diria o Chris. Mas  no sábado, ao ver o primeiro episódio, quase pude escutar minha adorada Cassie e seu "Wow". Que enquadramento, que trilha, que personagem, que sentimento, que força! Meu Deus, essa é a Skins que eu conheci, me apaixonei e defendi tanto!


Nos primeiros minutos de "Franky", quando a personagem título acorda, se olha no espelho e o cobre depois, me senti novamente dentro de um personagem, vendo o mundo através dos olhos dele. E no segundo episódio, a mesma sensação. Só que dessa vez, era através dos ouvidos do metaleiro viciado em música Rich que consegui perceber tudo isso. Quando ele tirava os fones de ouvido, a música silenciava, quando ele os colocava, estávamos dentro de seu universo. Sem tragédias nem grandes exageros, só a adolescência pura e simples de que eu tanto sentia falta. 

Posso estar sendo precipitada, afinal só dois episódios foram apresentados até agora, mas pela primeira vez desde aquela primeira geração de encher os olhos, estou diante do "à flor da pele" que tanto me impressionou a princípio. Acho que agora, finalmente, posso dizer que Skins voltou. E vocês não sabem o quanto isso me deixa feliz!

Love, @taryzottino


Leitores, tanto trabalho quanto faculdade estão sugando todo meu tempo e energia. Chego às sete da noite em casa e às nove já estou no sétimo sono. Por isso peço que me desculpem e tenham paciência comigo com relação aos posts e comentários. Com o tempo vou me acostumar com a nova rotina e estarei menos cansada, espero :)
[EDIT] A versão americana é um lixo, assistam a original britânica, por favor. [/EDIT]

sábado, 18 de dezembro de 2010

O que ando fazendo nas férias

Além das festinhas de fim de ano - ando obcecada por festas do Hawaii -  e das minhas viagens seguidas pra Fátima do Sul - uma espécie de Stars Hollow sul-mato-grossense menos charmosinha -, ando aproveitando o tempo livre pra ler, assistir séries, ouvir músicas e tudo mais o que já faço o ano inteiro mas nas férias posso fazer sem culpa. Então, como eu sou muito legal - super - resolvi dividir com vocês e, quem sabe, sugerir coisinhas pra diminuir o tédio que sempre aparece nesse período.

Lendo...  Orgulho & Preconceito, Jane Austen 


Muitas pessoas morrem de medo dos clássicos, mas juro que o livro é simplesmente uma delícia de ler! É aquela coisa leve, linguagem elegantérrima com doses de sarcasmo e situações românticas nada forçadas ou melosas, prefiro mil vezes essas demonstrações sutis de afeto do que o ultra-romantismo da Emily Brontë, por exemplo. E não posso deixar de dizer: Mr. Darcy é muito amor pra um personagem só. Super adorando o livro. 

Ouvindo... Someone Like You, Adele


Eu amo a Adele. Muito. Só isso explica o fato de ter escutado "Someone Like You" - canção do novo álbum dela que sai em janeiro do ano que vem - pela milionésima vez consecutiva hoje.  Já escrevi sobre ela aqui, mas como sou uma mané pra falar das coisas que gosto, posso não ter sido suficientemente clara. Então dá uma escutadinha aí em cima e me conta se estou exagerando. Se não gostar dessa, faça um favor pelo resto da sua vida e escute as outras músicas da Adele. 

Assistindo... The.O.C.


The O.C. é outra série que se perdeu na minha vida e não poderia deixar de rever. Engraçado é que só fui   conquistada de fato no fim da segunda temporada e agora quero desesperadamente começar a próxima. Marissa pode ser uma insuportável com seus problemas nanicos e o Seth às vezes me irrita horrores com  seu egocentrismo. Summer pode ser fresca ao extremo e Ryan só sabe resolver as coisas através dos punhos. Admito, eles têm milhões de defeitos horríveis, mas não consigo deixar de torcer por eles nem por um episódio. Principalmente pelo Ryan, meu favorito, o menino introspectivo e monossilábico que, mesmo sem demonstrar direito,  realmente se importa. Não tem jeito, The O.C. é a mãe dos dramas teen atuais - Gossip Girl e 90210 super tentam beber nessa fonte -, adoro e sempre me divirto assistindo.

Mas se essa gripe maldita não me abandonar logo, vou acabar passando as férias inteiras bridgetjonesando! Mas que puxa!

É isso, espero que tenham gostado das dicas! Aproveitem as férias!

Love, Tary

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Sempre quis viver em Stars Hollow

Life is short, talk fast!

Sempre soube que Gilmore Girls seria uma das séries da minha vida. Desde quando tinha treze anos, assistia os episódios dublados no sbt junto com mamãe e achava o Jared Padalecki o cara mais lindo do mundo. Lembro de passar madrugadas inteiras rindo da Lorelai, torcendo pela Rory e me identificando com o vício delas por café, pizza e cultura pop. Porém, graças ao tio Sílvio e suas mudanças na grade, só assisti as duas primeiras temporadas e em horários muito absurdos. 

Em tese, essa seria a primeira série que eu baixaria na vida e assistiria todos os episódios compulsivamente quando tivesse uma internet boa o suficiente para tanto, mas eventualmente acabei me esquecendo das garotas Gilmore. Tudo mudou nesse fim de ano, baixei as duas primeiras temporadas e estou viciada de novo. Na verdade é como se estivesse assistindo pela primeira vez já que não lembro de nada e mudei totalmente meus conceitos: Jared Padalecki era um moleque de cabelos oleosos. Tristeza. Não me levem a mal, ele era e continua lindo combatendo demônios por aí, mas revendo Gilmore Girls não me pareceu tão deslumbrante como era aos meus treze anos. 

Tirando essa insignificante desilusão adolescente, a série continua tão genial quanto eu me lembrava. O roteiro é impecável, repleto de referências pop - de Xuxa a Oliver Twist -, Rory e Lorelai falam mais rápido do que qualquer ser vivente consegue, todos os personagens, mesmo os mais secundários, conseguem ser super cativantes e finalmente, Gilmore Girls possui a cidade fictícia mais legal do universo dos seriados: Stars Hollow é o lugar onde sempre quis viver, por mais urbana que eu seja. 

Não existe cidade mais charmosa, repleta de habitantes que dariam a vida uns pelos outros e que ainda pareça uma pintura durante o inverno. O tédio de viver numa cidade pequena não pode existir quando se têm um lugar como o Luke's, onde é possível se empanturrar de junkie food e obter conselhos amorosos ao mesmo tempo. Além dos eventos malucos de todos os anos - como concursos de dança e do melhor boneco de neve - e as festas maravilhosas organizadas por Lorelai e sua melhor amiga Sookie, a chefe de cozinha mais divertida de todos os tempos. 


Se você gosta de antiguidades, pode fazer negócios com a Sra. Kim - tomando cuidado para não ser enxotado de sua loja a vassouradas, claro - , se tem um fraco por livros peça um emprestado a Rory e se gosta de músicas, garimpe a coleção de cd's da Lane. Se nada disso bastar, ainda restam as noites de cinema verborrágicas e regadas a guloseimas na casa das Gilmore. Impossível uma cidade fictícia ser tão simpática quanto Stars Hollow!

Fora isso tem o fator identificação: falo rápido pra caramba, não saberia explicar nada sem minhas citações e referências pop, sou viciada em cafeína - em rehab, por causa da enxaqueca -, minha relação com mamãe é perfeita, tenho as crises nerds e o mesma compulsão por livros da Rory, vivo nomeando objetos inanimados tal qual a Lor, mega desastrada que nem a Sookie, meio enlouquecida com trabalhos feito a Paris e às vezes fico mais monossilábica e mau-humorada que o Luke. Alguma dúvida de que meu lugar é Stars Hollow e de que Gilmore Girls é uma das séries da minha vida? 

Férias = leitura, guloseimas e Gilmore Girls!

Love, Tary

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

People always leave


Se tem uma coisa que aprendi vendo One Tree Hill foi essa: "People always leave". Claro que depois também aparece um desenho com "Sometimes they come back" na série, mas isso não muda o fato de que um dia, invariavelmente, todo mundo se separa.Pode ser um se mudando para outra cidade, aquela sua amiga de décadas se matando pra passar em Medicina e não tendo tempo para nada ou a sua turma integrada da faculdade que logo vai se dividir. O fato é que pessoas vêm e vão, não tem jeito. É por isso que, depois de muito levar na cabeça, fiquei meio blindada quando se trata de separações. Sofro no primeiro instante, sinto dor, choro, mas acabo sempre superando. Acho que é porque meu otimismo sempre ganha do pessimismo. Enquanto o último insiste em dizer "People always leave", o outro sempre se adianta em retrucar: "Sometimes they come back..."

Love, Tary

domingo, 11 de julho de 2010

Sabedoria Cassiniana

Vocês estão cansados de saber o quanto eu amo Cassie Ainsworth, de Skins. Falo sobre ela, cito suas frases o tempo todo, desenho, faço maquiagens inspiradas (!) e me identifico absurdamente (tirando a parte das drogas e da anorexia, claro). Logo, vou poupá-los do falatório habitual e mostrar fotos que ilustram meus motivos perfeitamente.








Não levem o título ao pé da letra, óbvio que uma adolescente, principalmente uma personagem de Skins, não faz ou fala sempre a coisa certa. Todas as fotos foram retiradas do We Heart It.

Love, Tary

segunda-feira, 22 de março de 2010

Nostálgica, eu?


Quando eu era pequena, ia todas as manhãs pra casa da minha avó e, como não podia brincar na rua, mergulhava nos meus programas de televisão favoritos até a hora de ir à escola. Me dividia entre o SBT, a Cultura e a Globo (que era a mais fraquinha na programação infantil) e passava ótimos momentos com "Ursinhos Carinhosos", "O Fantástico Mundo de Bobby", "Mundo da Lua", "Castelo Rá-Tim-Bum", "Chaves", "Chapolin", "Punky", "Blossom", "Digimon" e "Sakura Card Captors". Minha tia, que na época tinha 15 anos (eu tinha uns 6, 7), cuidava de mim e assistia quase todas as atrações comigo. Apesar da diferença de idade, tínhamos muito em comum e sempre comentávamos os episódios.

Todo mundo se lembra de "Punky, a levada da breca", mas é difícil alguém se lembrar de "Blossom", um sitcom muito doce e engraçado sobre as desventuras de uma adolescente e que começou a ser exibido pelo SBT em 1997, durando quatro anos. Na minha memória, pequenos flashs da personagem título, muito inteligente e nada bonita; de Joey, o irmão muito bonito e nada inteligente; de Tony, o irmão ex-viciado e hilário; de Nick, o pai bacana e ciumento, de Vinnie Bonitardi, o namorado gatinho e de Six, sua melhor amiga no mundo inteiro e uma tagarela crônica. Eu simplesmente amava a série, adorava os conflitos, as piadas e esperava ansiosamente que a garota estranha começasse a dançar na abertura, pois isso significava que eu daria boas risadas.

Durante muito tempo procurei os episódios pra download, mas parecia praticamente impossível encontrar, já tinha desistido quando achei esse link que continha praticamente todos os episódios da série pra assistir online. Pronto, virei criança na hora! Me vi sentada com a tia Dani na sala da casa de vovó, comendo leite ninho com achocolatado e dizendo o quanto Vinnie era lindo e Joey, um adorável idiota.

Não sei bem o motivo, mas adoro conversar ou mesmo reviver  minha infância. Escrevi aqui uma vez que, assim como a Cassie, de Skins, não acho que tenha crescido realmente, ainda tenho muito da criança que desenhava as pessoas que amava, lia histórias sobre "Meninas Exemplares" na varanda de casa e sentava todas as manhãs para assistir Blossom na TV.

Love, Tary.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Cassie & Eu

Oh, wow! Lovely!

Quem sempre diz estas palavras, com um sorriso docemente lunático nos lábios, é a personagem das duas primeiras temporadas do seriado britânico Skins, Cassie Ainsworth, que é também uma das personagens mais complexas que eu já vi e uma das minhas favoritas de todos os tempos. Ela gosta de vestir todas as suas roupas de uma só vez e odeia pessoas que mudam suas vozes quando dizem algo importante. Diz amar comida, mas nunca come nada e é totalmente apaixonada pelo Sid, que corresponde, mas é um completo idiota às vezes. Cassie é aquela menina que diz I like the things that I like but I love everything, porque acha que até as piores coisas têm algum motivo para serem amadas.

 
Uma vez ela sofreu tanto por amor, que até o comparou com a sensação de estar quase morrendo. Cassie ama David Bowie, The Cure e filmes mudos em preto e branco. É sozinha mesmo com um bando de gente em volta, tem medo e coragem sempre nas horas mais equivocadas; aparece quando não devia, foge quando deveria ficar, quase sempre toma as decisões erradas. Só ela sabe o que se passa realmente dentro da sua cabeça, só ela sabe o que está além daqueles sorrisos estampados em seu rosto a todo momento. Pode ter toda uma atmosfera de sonhadora birutice, pode ser assustadora e até um pouco ferina em alguns instantes, mas é muito, muito humana.

 
Ao mesmo tempo que é triste, é feliz, o que pode não fazer sentido algum, mas ao mesmo tempo faz todo o sentido do mundo; é que Cassie se apaixona pelas pequenas coisas, aquelas que ninguém nota, aquelas que todos percorrem os olhos displicentemente - e como é difícil para alguns entenderem isso! Ela pode ter uma alegria contagiante num instante e depois pode estar abraçando a si mesma pra tentar aliviar a dor escondida; pula numa cama elástica e vira criança, afinal ela não acha que tenha crescido de fato. Mas é só mudar para um lugar totalmente novo que cresce sim, a olhos vistos e de repente.
Cassie pode ser várias numa só, pode ser introspectiva e extrovertida... Pode fazer um comentário totalmente infantil e logo depois dizer um palavrão, pode ter doçura e agressividade; é sempre ela mesma, mas em diferentes versões e sempre acredita na bondade dos outros, até que eles invariavelmente a decepcionam.

No fim, ela é apenas... humana. É apenas gente, muito gente. E é assim que eu me definiria se não tivesse o mesmo medo - ou desconforto, chame como quiser - de demonstrar os meus verdadeiros sentimentos, aqueles que guardo bem lá no fundo do meu coração. Cassie é meu outro eu, com toda a certeza, o meu eu mais confuso, mais obscuro, mas meu outro eu. Muito do que tem nela vive em mim também - tudo o que disse acima, pra ser mais exata. E nessas linhas borradas, falo de mim através da Cassie, porque ela é mais que uma personagem, é parte de mim.
 
Quem interpreta Cassie Ainsworth é a brilhante atriz Hannah Murray.


Se você quiser ver o que ela ama e odeia, veja o Diário da Cassie. Sério, é uma das melhores coisas que eu já vi na vida e isso não é coisa de fã inflamada. And please, façam um favor para o resto das suas vidas e VEJAM Skins. Baixem, vejam pelo VH1, apenas deem uma chance para esse seriado maravilhoso.