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domingo, 8 de junho de 2014

Ainda bem que somos todos diferentes

Quinta-feira passada comprei um prestígio no terminal e, assim que abri a embalagem, lembrei de quando estava na terceira série. Naquela época, cadernos de perguntas ainda estavam na moda. Uma pergunta era escrita em cada folha e o caderno passava de mão em mão. As redes sociais não existiam, então era uma boa forma de stalkearmos uns aos outros. Flertes e grandes amizades surgiam da brincadeira. E mesmo quando isso não acontecia, continuava sendo divertido para driblar a aula mais chata do dia.

Enquanto esperava o ônibus, um dos questionamentos voltou à minha mente. “Qual chocolate você mais odeia?”. Lembro que foi um choque me deparar com as respostas. Eu não conseguia entender o porquê. Até questionei algumas das minhas amigas e elas disseram apenas que era ruim, e pronto. Para minha completa incompreensão, a maioria havia respondido prestígio. Alguns até colocaram um “eca!” para enfatizar a repulsa pelo meu chocolate favorito. Pois é. Um daqueles momentos em que percebemos que até mesmo as coisas mais intocadas para nós não são apreciadas por todo mundo. As pessoas têm gostos diferentes, as pessoas são diferentes, as pessoas discordam. E isso não se trata somente de chocolate.

Falo principalmente da arte. Livros, filmes, séries, música, peças de teatro (…) Como é difícil entender quem odiou algo que você ama, ou se apaixonou loucamente por alguma coisa que você detesta. Às vezes achamos que tem algo de errado com a gente. Não analisamos direito, não destacamos os prós e contras, amamos com tanto vigor que não enxergamos os defeitos, ou odiamos com tanta paixão que as qualidades ficaram em segundo plano. Mas pode ser bem mais fácil julgar o outro lado do que olhar para o próprio umbigo, ou simplesmente aceitar que somos todos diferentes.

Quem não gostou deve ter deixado a sensibilidade em casa. Não entendeu. Não tem maturidade para compreender. Não estudou o bastante. Deve gostar mesmo é de (insira uma obra do mesmo gênero, de preferência popular, e odiada por público, ou crítica). Sem contar os comentários condescendentes sobre a personalidade (você é muito doce para gostar de um livro tão pungente) ou os xingamentos baixos. Ainda mais complicado é ser minoria (as minorias sofrem até nesse departamento, vejam vocês).  Não gostar de um livro que meio universo idolatra e fala sem parar no seu ouvido. Amar um filme sem ressalvas e todos arregalarem os olhos de pura incredulidade quando você ousa dizer isso em voz alta.

A arte é subjetiva. Tem muito a ver com quem somos, com a forma que vemos o mundo. Não há problema em sentir amor, ódio ou indiferença por qualquer produto cultural. Essas sensações são essenciais na construção de cada um, colaboram para o autoconhecimento e geram ótimas discussões. Não adianta quebrar a cabeça em mil teorias para explicar o que sentimos nem tentar alcançar o porquê da sua amiga ter se apaixonado por uma série que você abomina. Não adianta querer pensar como os outros ou tentar fazer com que eles se pareçam mais com você.

Porém, gostando ou desgostando, o mais importante de tudo isso é saber que nada nos dá o direito de rotular e diminuir as pessoas. Nada nos dá o direito de dizer que fulano é “isso” ou “aquilo” por ter amado ou odiado determinada obra. É ridículo escrever que o filme de “A Culpa é das Estrelas” foi feito para “virgenzinhas sem senso crítico”, como eu li por aí. Não gosto do livro, como vocês bem sabem, mas nunca vou apoiar qualquer ofensa ao fãs. É inadmissível vestir a máscara de pseudocult, ostentando olhar blasé e sorriso pedante, para falar que só gente superficial curtiu “O Espetacular Homem-Aranha 2”.

Não sejamos haters nem talifãs. A intolerância é capaz de destruir tudo o que existe de bonito nesse mundo. Na verdade, já destruiu muitas coisas. E cabe a nós não contribuirmos para que isso aconteça com a arte. A diversidade torna a vida mais colorida. Abre um mundo de possibilidades. Prova que somos complexos, únicos, insubstituíveis.

E faz com que sobrem mais prestígios na caixa. Ainda bem.

Love, Tary

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Do verbo desgostar

Eu estava quieta no meu canto quando Dona Rafitcha sugeriu que listássemos quatro coisas que o mundo inteiro parece adorar de paixão, menos a gente. Não costumo escrever sobre o que não curto porque sempre acabo me inflamando demais. Quando não gosto, não gosto mesmo e aí mal posso ouvir falar sem torcer o nariz. Mas por incrível que pareça, foi super difícil escolher. Ando com tanto sono que desenvolvi amnésia, mas vamos lá.

Das coisas que todo mundo ama  e eu odeio

New Girl

NAO.

Gente, sério mesmo que vocês gostam desse troço? Pelo amor dos meus futuros filhinhos, me expliquem os motivos nos comentários, porque sinceramente, não consigo entender. Essa “comédia” tem o pior defeito do gênero: é sem graça demais. Forçada pra caramba, recheada com piadinhas estupidamente ruins e momentos “se esconde debaixo da mesa de vergonha alheia”. Fiquei com vontade de ver por causa da Zooey Deschanel, adoro ouvir She & Him, acho ela linda e dona de um super carisma. Porém, infelizmente, não conseguiu imprimir  nem 1/3 desse carisma na sua personagem em New Girl. Jess – argh – é apática, infantil, chata de doer e se eu fosse obrigada a conviver com alguém parecida na minha vida, a morte seria a única solução viável. Ela entra fácil na lista das 5 personagens que eu mais detestei na vida e olha que eu só me torturei vendo 4 episódios dessa bagaça. E, apesar de adorar a voz da Zooey, uma das coisas que mais me irritou foi essa guria cantando o tempo inteiro, arregalando os olhos e fazendo cara de pokémon demente. Pra completar, foi indicada ao Globo de Ouro muito injustamente, o que só contribuiu para que o meu ódio se estabelecesse. Odeio, odeio, odeio, odeio. Só não foi cancelada porque a Zooey é popular. E tenho dito.

Travessuras da Menina Má

travessuras

Garanto que no mundo inteiro, só uma pessoa deve odiar esse livro: eu. E  considerando o número de dislikes no meu comentário no skoob, não poderia estar mais certa quanto a isso. Peguei emprestado de uma amiga e estava animadíssima pra ler, passei uns bons anos desejando, mas quando comecei, que decepção. Bem escrito ele é. Sem dúvidas quanto a isso. Mas me passou uma impressão horrível de querer chocar, impressionar através dos atos odiosos dos protagonistas desprezíveis. Ricardito, um banana sem precedentes. Menina Má, a representação de tudo o que eu mais odeio. Falsa, manipuladora. Do tipo que dá falsas esperanças e brinca com os sentimentos dos outros. E depois, quando a merda está feita, vai correndo para os braços daquelas mesmas pessoas que destruiu um dia. Gostei das descrições dos lugares por onde eles passam e achei os coadjuvantes super bem construídos, mas foi só. Protagonistas não cativantes são capazes de detonar qualquer história. E esses conseguiram, com louvor.

Fast Food

mcdonalds

Qual o sentido do amor todo por aqueles lanches? Acho bem qualquer coisa, viu. Não são gostosos como os do Subway, por exemplo, pelos quais sou apaixonada e nem considero fast food. Os molhos são muito ruins, o pãozinho é pura massa e só se salva a batata frita, mas convenhamos, essa é boa em qualquer lugar. Sempre saio desses lugares me fazendo a mesma pergunta: Tá, o que tem demais nisso aí? Nada, meu Deus. Nadinha mesmo.

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Nick & Norah, uma noite de amor e música

Todas as pessoas com que eu converso adoram esse filme e eu acho simplesmente intragável. Chato, sem sentido, monótono. E nem venha defender falando da trilha sonora. Se eu quiser ouvir música boa, compro um CD. Canções legais dentro de um filme ruim não passam de um recurso desperdiçado, na minha opinião. Gosto de Michael Cera e de Kat Dennings, mas pra mim nesse filme eles não convencem em nada como casal. Cadê a química, Brasil? Sem falar que a loira da foto se perde dos amigos e passa o filme inteiro mastigando um chiclete nojento. O treco chega a cair em uma privada e a pessoa coloca de volta na boca. Ou seja. Vendo os comentários no Filmow, notei que sou uma das poucas a desgostar dele. Lembro que até escrevi: mais um que entrou pra minha lista de todo mundo amou, menos eu. Logo, não poderia deixar de integrar esse post.

Por hoje é só. Não me odeiem muito, ok?

Love, Tary

O título foi sugerido pela Analu.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Gente chata

Se tem uma coisa que me irrita horrores, a ponto de fazer com que eu contraia os dedos dos pés e revire os olhos até ficar vesga de ódio, essa coisa é o  tal do pseudo-cult. Não sei bem como a espécie nasceu, mas o fato é que ela se reproduz vorazmente por todas as redes sociais e vem se multiplicando de forma assustadora no dia-a-dia também. Ô raça, viu. Essa gente parece dominada pela bundamolice, característica daqueles que só sabem encher o saco alheio e não conhecem a diversão despretensiosa.

Porque na visão desses pentelhos, é uma decepção muito grande uma menina que gosta do Woody Allen se sentar no sofá da sala pra assistir os barracos de um reality show tosquinho. E imagine só! Essa jovem leitora de Florbela Espanca se aventurando em um festival sertanejo? Não pode, não pode! Isso só pode ser heresia, ou remake de A Fazenda. Ai, ai, ai. Deixa eu contar até 10 mil. Posso falar? Vão aprender a se divertir e depois a gente conversa um bocadinho. Simplesmente não consigo conviver com esse povo sem ter a imagem mental de uma voadora daquelas sendo desferida em seus belos narizes empinados.

Isso tudo me leva à uma conversa hilária que escutei no ônibus esses dias. Estava lá, de pé, um dos caras mais chatos que já tive o desprazer de conhecer na minha vida, discutindo Platão na maior altura – e arrogância – com um outro rapaz que usava óculos estilosinhos. Enquanto o insuportável monologava pra si mesmo, eis que o de óculos começa uma frase com: “Então, tô lendo um livro do Augusto Cury que…” Pausa. 

Risos eternos, minha gente. Eternos e vingadores. Tomou no orifício, senhor pseudo-qualquer-coisa. Por essa você não esperava, não é mesmo? Ficou até sem saber o que dizer.  Nesse momento queria muito poder descrever a cara do chatão, mas as risadas não me deixam nem lembrar direito. Certamente, ele teve vontade de morrer, ou de se jogar do ônibus em movimento. Moço dos óculos estilosos, se você fez de propósito, meus parabéns! Foi a trollada do século.

O que mais me irrita nesse tipo de pessoa é o fato de que estão pouco se lixando pra bagagem adquirida com as coisas que leem, escutam ou assistem. O importante mesmo é ir se exibir no Facebook, no Twitter, no Filmow ou no Orangotag. Ou fazer o que fazem de melhor: desmerecer os outros. Sempre com aquele ar de superior. Eles acham que estão abafando, mas na verdade, só estão sendo companhias desagradáveis. Gente chata. Apenas chata. Como lidar? Melhor não lidar. Porque Cazuza já dizia:

“Respeito quem é radical, respeito quem ama errado, respeito o cara careta e o cara exagerado, quem não gosta de criança e quer viver solitário, quem odeia rock'n'roll, mas gosta de um rebolado. Só não há perdão para o chato.”

Eu continuo ouvindo minhas músicas pop, lendo livros de mulherzinha, assistindo Legalmente Loira sempre que passa na TV e rindo de gritar com os barracos dos bons tempos de BBB. Nem por isso deixo de ler Saramago, escutar canções antigas, ver  filme europeu e documentário. E sabe por quê? Porque eu gosto de verdade, não pra ser rotulada por isso. E se eu quiser ir a um show de sertanejo com as minhas amigas logo depois de terminar um livro do Nabokov? Eu vou mesmo. Porque nada do que eu faça pra me divertir, desde que não machuque ninguém ou a mim mesma, é errado. E, afinal, realmente. Só não há perdão para o chato.