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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Retrospectiva literária em fevereiro, sim senhor

Postei sobre as minhas melhores leituras do ano passado lá no meu canal no YouTube há alguns dias e já estava com vontade de colocar o vídeo aqui, além de dividir outros pitacos. Mas aconteceu o que sempre acontece: a vida. Uma grande mudança, viagem, enfim. Só agora tive tempo. Espero que não esteja muito tarde pra vocês saberem mais um pouquinho sobre o que eu li em 2014!

Os melhores

Menções honrosas

Thriller do ano: No Escuro, de Elizabeth Haynes (livro de suspense que te faz se importar com os personagens e não apenas correr pra saber logo o desfecho).

Melhor livro de não-ficção: Renato Russo – O Filho da Revolução, de Carlos Marcelo (devorei feito pãozinho quente).

Infantis-amor: Matilda e A Fantástica Fábrica de Chocolate, de Road Dahl <3

Melhor casal literário: Eleanor & Park, de Rainbow Rowell (chorei no final e me apaixonei por eles).

Romance delicioso: A Garota Que Você Deixou Para Trás, de Jojo Moyes (mais um ano em que essa autora me ganha completamente).

Traço mais lindo da vida: Retalhos, Craig Thompson (quando um desenho parte seu coração).

Maior gerador de discussão: Menino de Ouro, de Abigail Tarttelin (pensei muito, aprendi e, apesar de ter achado que a autora exagerou, pelo menos ela esgotou o assunto, explorando todos os “what ifs” possíveis).

Melhor livro de poesia: Poesia Completa de Alberto Caeiro (meu encontro com Fernando Pessoa foi simplesmente mágico)

Mais gostoso que brigadeiro: O Presente do Meu Grande Amor (nada melhor do que contos fofinhos para fechar o ano, né?) e A Probabilidade Estatística do Amor à Primeira Vista (suspiros).

Soco no estômago: Ratos & Homens, John Steinbeck.

Framboesa de ouro literário

Desperdício de plot: Cartas de Amor aos Mortos, de Ava Dellaria (terrível, de verdade). Falo mais sobre ele na TAG Sandy & Júnior, também lá no canal.

Podia ser muito melhor: Memórias de um Amigo Imaginário, de Mathew Dicks (tantas possibilidades e virou isso aí).

Achei que ia me divertir, mas é uma droga: O Projeto Rosie, Graeme Simsion (previsível e machista, que beleza).

Maior decepção: A Mulher do Viajante do Tempo, de Audrey Niffenegger (sonhei um sonho lindo de amar e foi bem mais ou menos). Fahrenheit 451, de Ray Bradbury também cabe aqui =/

Pior livro do ano: Cidades de Papel (John Green me mistura um monte de quotes bonitinhas com uma história péssima, bate no liquidificador e voilá:::: um livro. Não foi dessa vez, filho).

Livros bons que não me arrebataram

The Bell Jar, de Sylvia Plath.

A Metamorfose, de Franz Kafka.

Passarinha, de Kathryn Erskine

Bate-bola de personagens

Personagem apaixonante: Cameron Wolfe, de A Garota Que Eu Quero, do Markus Zusak (vocês precisam ler essa trilogia amor).

Personagem admirável: Irmãs Grimké, de A Invenção das Asas, da Sue Monk Kidd (falo mais sobre o livro nesse vídeo aqui).

Personagem mais chato: Margo, de Cidades de Papel (insuportável, mas pelo menos me provocou algum sentimento, diferente de todos os outros personagens do livro).

Personagem mais legal: Todo o elenco principal do maravilhoso Luna Clara & Apolo Onze, da Adriana Falcão. Também adorei os personagens de A Vida do Livreiro A.J. Fikry, da Gabrielle Zevin <3

Personagem mais perturbador: Lee, o psicopata assustador de No Escuro.

Personagem com quem mais me identifiquei: Matilda, do Road Dahl (ratinha de biblioteca que nem eu).

Para ver todos os livros que eu li no ano passado, clique aqui.

Love, Tary

domingo, 20 de julho de 2014

Saindo de uma roubada para entrar em outra

Todos sabem como me relaciono com maratonas literárias. Sempre me animo, separo meus livrinhos e raramente consigo cumprir as metas estabelecidades. Pois bem, fico muito feliz em anunciar que isso acaba de mudar. Esta semana, participei da Booktube-a-thon, um desafio gringo incrível, criado pela minha vlogueira literária favorita. Eu já estava inclinada a entrar nessa roubada, dona Luh me animou e, surpreendentemente, deu muito certo.

booktube

Dos títulos acima, que estavam na minha pilha “to be read”, só não consegui terminar “O Diário de Helga”, mas considerando que faltam apenas 59 páginas e o dia ainda não terminou, me sinto uma vencedora! Li pelo menos 100 páginas todos os dias desde segunda-feira  (menos ontem, que não parei em casa). Também cumpri quase todos os desafios. Era permitido combinar até dois em um único livro. Logo, este foi o meu saldo: Começar e terminar uma série/livro com vermelho na capa: “Maus”. Livro que alguém escolheu para você ler e que se tornou uma adaptação cinematográfica: “A mulher do viajante do tempo” (tive sorte nessa! O livro que minha irmã escolheu já virou filme). Gênero que você leu menos esse ano/livro com figuras: “O Diário de Helga”. “A Doce Passagem” era o que eu estava lendo antes da maratona e foi finalizado já no primeiro dia. Só boicotei a loucura de ler 300 páginas por dia ou sete livros durante a semana. Isso seria demais para essa maratonista amadora.

Agora, minhas amigas me chamaram e não resisti: vou emendar uma roubada deliciosa na outra e tentar ser uma boa participante da Maratona Literária 3.0, organizada pelo Café com Blá Blá Blá. Um evento brazuca do qual participo desde a primeira edição, mas nunca rendeu o mesmo efeito da Booktube-a-thon.

maratonabrazuca

Acabo de perceber que todos podem ser encaixados nos desafios anteriores, mas juro que escolhi sem pensar nisso! Basicamente, tentei escolher livrinhos que estou muito animada para ler, de gêneros diferentes e que prometem uma leitura rápida e gostosa. Vencer essa maratona será a constatação de que eu consigo criar e cumprir metas nessa vida de leitora. Vamos ver o que acontece, né? Me desejem boa sorte.

Love, Tary

domingo, 15 de junho de 2014

A culpa é das estrelas

Existem certas coisas que estão no imaginário das pessoas. Você pode não ter visto uma novela mexicana na vida, mas já ouviu falar de Paola Bracho e Soraya Montenegro. Talvez a gente nem se lembre direito como descobriu a existência do Curupira ou da Mula sem Cabeça, mas a imagem deles está lá, desenhada nas nossas mentes. E mesmo se as plantações de nabos no Afeganistão fizerem mais sentido na sua cabeça do que William Shakespeare, é praticamente impossível desconhecer a premissa de Romeu & Julieta.

Dessa mesma forma, é quase que folclórico entre as minhas amigas: eu não gosto de A Culpa é das Estrelas, do John Green. Um livro que todas elas amam profundamente. É quase como um grande clube de identificação do qual eu simplesmente não faço parte. Minhas pessoas preferidas estão lá, com suas carteirinhas de integrantes assíduas, enquanto permaneço na porta, olhando para os pés e esperando que elas saiam do prédio (ou que o assunto mude de direção, se você  não sacou a metáfora).

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Tudo isso começou lá em 2012, quando fomos juntas à Bienal de São Paulo e compramos nossos exemplares. Durante a invasão ao estande da Intrínseca, ganhamos duas pulseirinhas azuis e o pingente de nuvem que quase não tiramos do pescoço. Na volta para casa, as que ainda não tinham lido foram devorando o livro. E se apaixonando por ele. Uma a uma. Acho que eu fui a última (ou uma das últimas) a ler.

Vocês conseguem imaginar o tamanho das minhas expectativas? Multipliquem por “todas as minhas amigas amam esse livro de paixão”. Multipliquem por “John Green é uma das minhas pessoas favoritas desde 2008”. Multipliquem por “esse vai ser o melhor YA a passar pelas minhas mãos”. Não vou dizer que certas coisas não me incomodaram durante a leitura (incomodaram, sim, e eu escrevi sobre elas), mas o depois foi bem pior. Começamos a discutir sobre o livro e fui percebendo, pouco a pouco, que a euforia delas não combinava com meu sentimento. Que eu não estava arrebatada daquela forma. Que eu não tinha amado sem ressalvas. Que eu não tinha… amado.

Desde então, sempre que o assunto é A Culpa é das Estrelas, sinto que estou montada num elefante cor-de-rosa no meio da sala.

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Logo, quando os rumores do filme começaram a surgir, não fiquei nem um pouco ansiosa. Depois de tudo confirmado, até me irritei um bocado com as imagens pipocando no meu lugar seguro na internet. No entanto, jamais deixei de torcer para que a adaptação alcançasse as expectativas dos fãs. Eu, por minha vez, não tinha quase nenhuma (aprendi a lição). Não queria que a história se repetisse, mas já me preparava para isso.

No dia em que li o livro, eu era uma folha de papel quase totalmente preenchida, frente e verso. Neste sábado, enquanto assistia ao filme, me senti um caderno em branco. Se vocês olhassem as minhas páginas, perceberiam como eu amei cada segundo. O tom, a trilha sonora, o roteiro, a química do elenco, as interpretações. Tudo. Os aspectos que me incomodaram no texto original foram suavizados na tela.

Hazel e Gus eram dois personagens que eu não conseguia sentir vivos, respirando (como é tão importante para mim que aconteça). Eles eram só de papel e tinta. Não me convenciam como adolescentes, como “gente de verdade”.

OKAY

E então, no olhar de Shailene Woodley, eu entendi a garota que leria até a lista de compras de Peter Van Houten e consegui me reconhecer nela. No sorriso de Ansel Elgort, encontrei um Gus tão honestamente construído, que o afeto foi instantâneo. Adorei o personagem quando li, mas ele não me pareceu tão verossímil quanto agora, não se materializou do meu lado, com um cigarro entre os dentes, e me acompanhou pela vida. E as interações dos protagonistas? Acreditei em cada abraço, em cada troca de olhares, em cada “Okay”.

Falando em metáforas, assim que os personagens cativaram, as quotes me afetaram muito mais. Cenas como a “escalada” na casa de Anne Frank e a maravilhosa sequência dos ovos ganharam um sentido completamente novo (não consigo lembrar delas no livro). Outro grande mérito é o quanto o filme consegue divertir. Claro que me debulhei em lágrimas quando a coisa ficou séria, mas no pesar da balança, as risadas ganharam.

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Brinquei com as minhas amigas que não sei mais quem eu sou na ordem do dia. Depois de tanto tempo não gostando de A Culpa é das Estrelas, fiquei sem reação diante de tudo o que a adaptação me provocou. Afinal, a história é basicamente a mesma.

Será que finalmente compreendi aquele papo de “mídias diferentes”? Apenas não gosto de um e adoro o outro? Ou esse é o sinal de que minha experiência numa releitura pode ser diferente? Como eu já disse por aqui, não adianta quebrar a cabeça em mil teorias. Eu amei. Senti. Entendi. Dei cinco estrelas no Filmow. Favoritei.

Não invalido minha opinião do passado: guardo a folha rabiscada sobre o livro dentro do novo caderno. Mas neste momento, sinto que nada está pronto e acabado. Ainda restam muitas páginas em branco.

Love, Tary

P.S: Fica o meu protesto para aquelas pessoas que conversam no cinema. Ninguém quer saber a sua opinião sobre cada trecho do filme nem ouvir sua risada inconveniente em cenas que não combinam com riso. Também não precisa dizer em voz alta que o Ansel é lindo. Todas sabemos deste fato. Espero, sinceramente, que, depois de tanto falatório, as idiotas da minha sessão fiquem com dor de garganta e passem a semana toda sem voz.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Se não falasse sobre livros, não seria eu

Depois de muito tempo no limbo blogueiro, finalmente estou com bastante vontade de escrever. O problema é que ando achando tudo o que escrevo uma bela de uma droga (agora mesmo precisei me recuperar de uma vontade psicótica de apagar vários posts antigos). As ideias ficam assanhadas na minha mente e o anjinho me diz para postar, enquanto o diabinho puxa meu cabelo e argumenta que o melhor é desistir, ou voltar de uma vez pro limbo. Me cansei dos dois e resolvi ficar no meio termo, apelando para um meme. Assim não deixo de escrever e ao mesmo tempo não maltrato tanto a crítica cruel que existe aqui dentro. Minha amiga Analu me convidou a responder essas 15 perguntas (que não consigo deixar de ler com sotaque português) da tag Palavras Cruzadas, criada pela Inês, do Ines Books. Demorei, é verdade, mas cá estou eu. 

1. Vox Populi (um livro para recomendar a toda a gente)

Se tem um livro subestimado nessa vida, este é A Vida em Tons de Cinza, da Ruta Sepetys. Até as amigas que costumam conferir minhas indicações com certa rapidez não parecem ter se convencido totalmente (I’m looking at you). Talvez seja o título, que remete àquele sucesso editorial inexplicável, a capa modesta ou o pouco burburinho que existe em torno dele. Falta de propaganda minha não é. Tenho um vídeo sobre ele e foi o melhor livro que li no ano passado. Os personagens são cativantes, o tema é pertinente, a jornada ensina. A autora foi brilhante ao retratar o sofrimento dos povos bálticos, deportados pela polícia secreta soviética para campos de trabalhos forçados na Sibéria. Ela transformou aquele parágrafo perdido no livro de história em algo inesquecível. Tem todo o potencial para ser universalmente amado, só é preciso dar uma chance. Ainda não se convenceu? Veja isso aqui.

2. Maldito Plágio (um livro que gostaríamos de ter escrito)

Quando eu penso em mim mesma como escritora, me vejo escrevendo contos. O que não faz o menor sentido, já que eu nem gosto tanto assim de ler contos. A verdade é que não devo me achar lá muito capaz de terminar um romance inteirinho. Mas se Erico Verissimo escreveu aquela maravilha chamada Música ao Longe em 20 dias, por que não eu (com um prazo bem maior, claro)? Em um dos seus vídeos incríveis, Ariel Bissett diz que autor favorito é aquele com quem temos uma certa conexão mental. Me sinto dessa forma com Erico desde sempre. Partilhamos até mesmo essa história de escolher com cuidado os nomes dos personagens. Além disso, esse livro me dá quentinho no coração, o que casa perfeitamente com meu desejo de escrever algo que as pessoas leiam numa varanda, sentindo a brisa no rosto e sorrindo o tempo todo.

3. Não vale a pena abater árvores por causa disto

Eu parto do princípio de que toda a leitura é válida, até mesmo as ruins. Só que nós poderíamos ter passado sem Diário de uma Paixão, né? Nada pode ser pior do que um romance onde o casal protagonista não convence nem por um segundo. Um enredo lacrimoso que só te faz chorar de raiva e sentir vontade de jogar o exemplar (quem nem é seu) na primeira janela que aparecer. Pelo menos serviu para constatar que Nicholas Sparks não é pra mim.

4. Não és tu, sou eu (um livro bom, lido na altura errada)

Pense naquela TPM desgraçada, quando nem todo o chocolate do mundo consegue deter a sua impaciência. Foi num dia assim que cometi um pecado imperdoável com Reparação, do Ian McEwan. Lembro de ter começado bem, me impressionei com a escrita e fiquei intrigada com a protagonista. No terceiro dia de leitura, a irritação tomou conta de mim. A narrativa me deu angústia, nada se desenvolvia e a situação foi ficando insustentável. Aí… eu li o final. Nunca façam isso. Pelo menos não com este livro. Minha idiotice destruiu toda a experiência de leitura e, se já estava me arrastando, a coisa ficou ainda pior. Preciso reler e dar a atenção que ele merece. Enquanto o momento não chega, pretendo me aventurar com outros livros do autor.

5. Eu tentei... (um livro que tentamos ler, mas não conseguimos).

Me orgulho muito de ter o gosto literário variado, mas encontrei meu calcanhar de Aquiles com Eu, Robô e O Guia do Mochileiro das Galáxias. Ficção científica simplesmente não funciona comigo. Acho extremamente complicado me envolver com argumentos viajadíssimos nesse nível. Mesmo assim, sou persistente e ainda espero encontrar o livro do gênero que vai explodir minha cabecinha. Indicações são bem vindas.

6. Hã? (um livro que lemos e não percebemos nada OU um livro que teve um final surpreendente)

É difícil fugir de spoilers dos clássicos e agradeço ao universo por ter me livrado de muitos deles. Fico especialmente feliz por ter lido O Grande Gatsby sem saber o que me esperava. Tio Fitz foi genial ao moldar toda a narrativa para convergir no maravilhoso clímax. I didn’t see that coming! Recomendo fortemente que vocês fujam de qualquer espírito de porco disposto a contar o final. Vale a pena se surpreender durante a leitura.

7. Foi tão bom, não foi? (um livro que devoramos)

Eu absolutamente amo comer livros com arroz, feijão e batata frita! Na minha listinha das “melhores coisas do mundo”, isso está no top 10. Consigo me lembrar de várias experiências literárias que poderiam ser colocadas aqui, mas A Revolução dos Bichos, do George Orwell, é forte candidato ao posto de “livro que li mais rápido na vida”. Ele é curtinho, eu sei, mas já enrolei semanas para ler coisas menores! Foi tipo um encontro mágico, ou coisa parecida. Gritinhos de “que foda!” e “meu Deus, que treco genial” a cada página virada, vontade de obrigar todo mundo a ler e discutir sobre todas as metáforas geniais inseridas ali. Em duas horas (de puro deleite), eu havia terminado. Me segurei para não começar a reler em seguida.

8. Entre livros e tachos (uma personagem que gostaríamos que cozinhasse para nós)

Gostaria muito que a Calpurnia, de O Sol é Para Todos, preparasse um dos seus quitutes maravilhosos para mim. Eu sentaria na mesa com o Jem e a Scout, tagarelando sem parar sobre o pai deles ser o meu herói. Que saudade desse livro. Muito obrigada pelo meu clássico preferido, Harper Lee.

9. Fast Foward (um livro que podia ter menos páginas que não se perdia nada)

Não me entendam mal, eu amei A Trama do Casamento e não estou em posição de reclamar do quanto o Jeffrey Eugenides escreve, já que este homem insiste em me fazer esperar anos por novas publicações. Porém, o fato de ter pensado na quantidade de páginas mesmo devorando o livro, deve querer dizer alguma coisa. O capítulo sobre leveduras, por exemplo… precisava mesmo daquilo? Umas 100 páginas a menos não fariam mal, vai.

10. Às cegas (um livro que escolheríamos só por causa do título)

Um dos meus favoritos da vida foi escolhido justamente por causa do título. Quando a Taryne de 16 anos pediu A Menina que Roubava Livros para a madrinha, não fazia ideia do que esperar. Só sabia que precisava saber o porquê da tal menina roubar os livros e também descobrir o significado por trás daquela capa linda (nunca vou respeitar a capa daquele filme horroroso). Agradeço muito à Tary do passado. Devo essa história a ela (e à madrinha Tetê).

11. O que conta é o interior (um livro bom com uma capa feia)

Uma vida interrompida é outro livro subestimado (e outro que tem uma adaptação cinematográfica vergonhosa). Susie Salmon, a protagonista, morre de um jeito cruel e acompanha a família lá do céu. Olha essa premissa! Nunca vou entender como as pessoas não se interessaram. Só podem ter sido assustadas por essa capa medonha, com a modelo de olhos injetados fazendo cosplay de Laura Palmer.

12. Rir é o melhor remédio (um livro que nos tenha feito rir)

Eu poderia citar Sophie Kinsella, que tem sido rainha suprema nessa categoria, mas hoje vou de Oscar Wilde. O Fantasma de Canterville me fez dar muita risada com as ironias do autor, que aborda a rivalidade entre americanos e ingleses do jeito mais inusitado possível. O pobre fantasma do título é aterrorizado pelos novos moradores da casa que assombra e a gente morre de rir, enquanto Oscar Wilde critica a sociedade vitoriana.

13. Tragam-me os Kleenex, se faz favor (um livro que nos tenha feito chorar)

A maior choradeira da minha vida foi com Meu Pé de Laranja Lima, do José Mauro de Vasconcellos, no segundo ano do Ensino Médio. Lembro que a minha mãe ligou logo quando eu tinha acabado de fechar o livro e ficou imediatamente assustada, achando que alguém havia morrido. Aqueles acontecimentos me doeram na carne. Quis adotar o Zezé, curar todas as feridas dele, plantar um pé de laranja lima no quintal de casa. Meu sonho é reler, mas sei que fiquei mais mole com o tempo e tenho medo de não conseguir mais sair da cama de tanto sofrimento (é sério).

14. Esse livro tem um V de volta (um livro que não emprestaríamos a ninguém)

Olha, me chame de egoísta o quanto quiser, mas só empresto os meus livros quando tenho plena confiança na índole do leitor em questão. E não tô falando de caráter e sim do modo como a pessoa trata os livrinhos. Se Gandhi marcasse página com a orelha dos livros, ele jamais encostaria nos meus. Dito isso, deixo registrado que nunca vou emprestar O Noivo da Princesa, do William Goldman. Encontrar este livro no sebo da minha cidade foi melhor do que ganhar na loteria. A versão traduzida de The Princess Bride teve pouquíssimas edições e é muito difícil de ser encontrada.

15. Espera aí que eu já te atendo (um livro ou autor que estamos constantemente a adiar)

Minha relação com Gabriel García Marquez sempre foi a seguinte: nunca li, sempre amei. Ainda não consegui ânimo para tirar o “nunca” desta frase e encarar O Amor nos Tempos do Cólera. Anna Vitória vive me dizendo pra deixar de besteira, mas tá complicado. Já comecei a ler incontáveis vezes e nunca passei da página 10. É uma vergonha, eu tenho total consciência disso, e se disser há quanto tempo ele mora na minha estante, vocês choram. Tenho a esperança de que um dia aquele livrinho azul me atraia feito comida de desenho animado e eu não consiga me desvencilhar dele até terminar. Até lá, sigo adiando, com o coração na mão.

Love, Tary

domingo, 8 de junho de 2014

Ainda bem que somos todos diferentes

Quinta-feira passada comprei um prestígio no terminal e, assim que abri a embalagem, lembrei de quando estava na terceira série. Naquela época, cadernos de perguntas ainda estavam na moda. Uma pergunta era escrita em cada folha e o caderno passava de mão em mão. As redes sociais não existiam, então era uma boa forma de stalkearmos uns aos outros. Flertes e grandes amizades surgiam da brincadeira. E mesmo quando isso não acontecia, continuava sendo divertido para driblar a aula mais chata do dia.

Enquanto esperava o ônibus, um dos questionamentos voltou à minha mente. “Qual chocolate você mais odeia?”. Lembro que foi um choque me deparar com as respostas. Eu não conseguia entender o porquê. Até questionei algumas das minhas amigas e elas disseram apenas que era ruim, e pronto. Para minha completa incompreensão, a maioria havia respondido prestígio. Alguns até colocaram um “eca!” para enfatizar a repulsa pelo meu chocolate favorito. Pois é. Um daqueles momentos em que percebemos que até mesmo as coisas mais intocadas para nós não são apreciadas por todo mundo. As pessoas têm gostos diferentes, as pessoas são diferentes, as pessoas discordam. E isso não se trata somente de chocolate.

Falo principalmente da arte. Livros, filmes, séries, música, peças de teatro (…) Como é difícil entender quem odiou algo que você ama, ou se apaixonou loucamente por alguma coisa que você detesta. Às vezes achamos que tem algo de errado com a gente. Não analisamos direito, não destacamos os prós e contras, amamos com tanto vigor que não enxergamos os defeitos, ou odiamos com tanta paixão que as qualidades ficaram em segundo plano. Mas pode ser bem mais fácil julgar o outro lado do que olhar para o próprio umbigo, ou simplesmente aceitar que somos todos diferentes.

Quem não gostou deve ter deixado a sensibilidade em casa. Não entendeu. Não tem maturidade para compreender. Não estudou o bastante. Deve gostar mesmo é de (insira uma obra do mesmo gênero, de preferência popular, e odiada por público, ou crítica). Sem contar os comentários condescendentes sobre a personalidade (você é muito doce para gostar de um livro tão pungente) ou os xingamentos baixos. Ainda mais complicado é ser minoria (as minorias sofrem até nesse departamento, vejam vocês).  Não gostar de um livro que meio universo idolatra e fala sem parar no seu ouvido. Amar um filme sem ressalvas e todos arregalarem os olhos de pura incredulidade quando você ousa dizer isso em voz alta.

A arte é subjetiva. Tem muito a ver com quem somos, com a forma que vemos o mundo. Não há problema em sentir amor, ódio ou indiferença por qualquer produto cultural. Essas sensações são essenciais na construção de cada um, colaboram para o autoconhecimento e geram ótimas discussões. Não adianta quebrar a cabeça em mil teorias para explicar o que sentimos nem tentar alcançar o porquê da sua amiga ter se apaixonado por uma série que você abomina. Não adianta querer pensar como os outros ou tentar fazer com que eles se pareçam mais com você.

Porém, gostando ou desgostando, o mais importante de tudo isso é saber que nada nos dá o direito de rotular e diminuir as pessoas. Nada nos dá o direito de dizer que fulano é “isso” ou “aquilo” por ter amado ou odiado determinada obra. É ridículo escrever que o filme de “A Culpa é das Estrelas” foi feito para “virgenzinhas sem senso crítico”, como eu li por aí. Não gosto do livro, como vocês bem sabem, mas nunca vou apoiar qualquer ofensa ao fãs. É inadmissível vestir a máscara de pseudocult, ostentando olhar blasé e sorriso pedante, para falar que só gente superficial curtiu “O Espetacular Homem-Aranha 2”.

Não sejamos haters nem talifãs. A intolerância é capaz de destruir tudo o que existe de bonito nesse mundo. Na verdade, já destruiu muitas coisas. E cabe a nós não contribuirmos para que isso aconteça com a arte. A diversidade torna a vida mais colorida. Abre um mundo de possibilidades. Prova que somos complexos, únicos, insubstituíveis.

E faz com que sobrem mais prestígios na caixa. Ainda bem.

Love, Tary

domingo, 11 de maio de 2014

Read-a-thon

Assim que o relógio marcar meia-noite terá início a Bout of Books read-a-thon, edição de número 10. Para quem não está familiarizado com o nome, trata-se de uma maratona literária criada na gringa e que alguns brasileiros resolveram aderir este ano. Você define sua meta, faz um post (ou vídeo) a respeito e se dispõe a ler o máximo que conseguir durante o período estipulado. Já “participei” de dois eventos do tipo. As aspas se devem ao fato de não ter levado os desafios a sério o suficiente. Culpem o meu espírito livre, mas metas literárias nunca funcionaram direito comigo. Quase sempre me sinto pressionada e perco automaticamente o interesse pelos livros que escolhi. Aquela história de: virou obrigação e ficou chato. É aí que vocês se perguntam: então qual o motivo de se aventurar nessa loucura mais uma vez? Bom, são três as razões.

1. Dos 12 títulos que me comprometi a ler esse ano (me refiro a livros específicos, minha meta quantitativa são 50), só dois ainda não foram lidos, o que talvez represente uma mudança na tal aversão aos planos de leitura.

2. Sempre achei essas maratonas muito legais e sonhei um sonho lindo de ser uma participante decente. Algumas booktubers têm vídeos com dicas para se preparar e “sobreviver” ao movimento. Num mundo perfeito, eu coloco a minha pilha de livros na cadeira mais próxima (no habemos mesa de cabeceira), preparo um chá delicioso e leio até cansar. Me inscrever significa uma nova tentativa de atingir esse desejo. De novo.

3. Estou de férias e o tédio consome meu corpo (você não se odeia por clamar por tempo livre e depois reclamar de se sentir entendiado? Eu sei que me odeio. Humanos, pff).

Agora chega de small talk e vamos falar sobre os livrinhos que pretendo ler. Já estou devorando “Lembra de Mim”, da Sophie Kinsella, um chick-lit que promete risadas, como todos os livros da autora. Assim que minha amiga Dede der o sinal, pegarei o ‘'Álbum de Casamento”, da Nora Roberts (clube do livro de duas pessoas é a melhor coisa do mundo, experimentem), uma indicação da Analu. Em seguida, o escolhido será “Dias Perfeitos”, do Raphael Montes, que recebi de cortesia da Companhia das Letras. Por fim, lerei “As Boas Mulheres da China”, que peguei emprestado de uma amiga e promete me fazer chorar horrores. Ou essa ordem pode mudar totalmente, vá saber. O importante é terminar os quatro livros até às 23h59min do próximo domingo (18). Uma ambição da minha parte, já que me dou por satisfeita quando leio um por semana.

Se você é um dos participantes, por favor, me conte sua meta nos comentários. Caso contrário, diga de qualquer modo o que pretende ler está semana. E me deseje sorte!

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EDIT: Só consegui ler Lembra de Mim? e Álbum de Casamento. Os demais seguem na listinha de não lidos, mas pretendo mudar isso em breve.

Love, Tary

P.S: Alguém ainda se lembra da existência desse blog?

sábado, 4 de janeiro de 2014

Retrospectiva literária 2013

O ano que passou foi muito produtivo em matéria de leituras (pelo menos nisso). Participei de dois desafios com 12 livros cada e consegui ler cinco livros de um, seis do outro. Se você me conhece um pouquinho sabe que isso é um grande avanço: odeio planejar leituras. Ao todo, foram 54 livros (para ver a lista completa, clique aqui). Os melhores vocês poderão conferir no vídeo que gravei para o meu canal no YouTube, mas resolvi também ressuscitar o meme que criei no fim de 2010, pois: a) alguns livrinhos precisam ser citados, b) sinto saudade de escrever sobre livros, e c) quero dar uma de Deyse Batista e esculachar certos títulos manés. Agora chega de papo e vamos iniciar os trabalhos.

O melhor casal literário

Lou & Will, de Como eu era antes de você partiram o meu coração em milhares de pedacinhos que até agora devem estar perdidos no meio das páginas daquele livro. Morri de medo do relacionamento dos dois ficar forçado e melodramático, mas não aconteceu. O envolvimento se deu de uma forma tão gradual e delicada que não foi difícil me apaixonar. Se separados eles já eram personagens incríveis, imagine quando interagiam? Os dois me fizeram rir, chorar (muito) e refletir sobre coisas que nem passavam pela minha cabeça. Eles me ensinaram muito e sempre serei grata por isso.

Menção muito honrosa: Lina & Andrius, de A Vida em tons de Cinza.

Virei a noite lendo

O Oceano no Fim do Caminho, de Neil Gaiman. Finalmente pude constatar o que já suspeitava: Neil Gaiman é um brilhante contador de histórias. Sua narrativa deliciosa me pegou de jeito e terminei de ler o livro em um dia, desesperada por mais. Não largo mais esse homem por nada nesse mundo.

Soco no estômago

Vida Roubada, de Jaycee Dugard. Foi exatamente essa a sensação que tive ao ser exposta às memórias da menina sequestrada que passou 18 anos nas mãos de seu algoz, um pedófilo condenado. Paralisada pelo medo, se sentindo culpada, morrendo de saudade da mãe. Se alegrando com a chegada das filhas que teve com o bandido, pois assim não estaria mais sozinha. Me indignei com a negligência das autoridades americanas, que iam até a casa para vigiar o homem, mas parecem ter pouco se importado em dar uma olhada no quintal, onde uma garotinha encarcerada rezava por ajuda. E até agora, meses depois da leitura, ainda não entendo como a mulher desse sequestrador – sim, ele era casado – ajudou a raptar Jaycee e se omitiu diante dos abusos cometidos pelo marido. Socos de todos os lados, medo da maldade existente no mundo.

A Mulher Desiludida, de Simone de Beauvoir. Os dois últimos contos até hoje não pararam de me estapear. Murielle, desolada pelo suicídio da filha, deprimida com a solidão e repetindo mil vezes que está farta farta farta farta. Monique, traída pelo marido, iludida sobre a possibilidade dele se arrepender e se sentindo cada vez mais esquecida. A escrita da autora é daquelas que você jamais conseguirá esquecer e passará a vida se martirizando por jamais chegar aos pés. Absolutamente necessário.

Chorei de soluçar

As maiores choradeiras do ano foram: Como eu era antes de você, A Vida em Tons de Cinza e Extraordinário. O primeiro por motivos de: melhor casal literário do ano sofrendo. O segundo: melhor elenco do ano sofrendo do início ao fim. O terceiro: criança mais incrível do ano sofrendo (também chorei quando ela para de sofrer, mas enfim).

A maior decepção do ano

O que aconteceu com o adeus e A Caminho do Verão, da Sarah Dessen.  Esperava algo de absurdamente sensacional desses dois livros (que foram bem caros, pra piorar) e achei ambos medianos. A autora também segue uma fórmula de: personagens desajustadas, com nomes diferentes e problemas familiares (pelo menos a julgar por esses livros), que considerei bem pouco criativa. Fora que a mulher é prolixa pra caramba! Nenhum deles precisava de tantas páginas. No entanto, por algum motivo, ainda não desisti. Dizem que Just Listen é o melhor livro da Sarah e ainda tenho vontade de conferir.

O mais chato

Dez (quase) amores, de Cláudia Tajes. Ai, nem sinto vontade de falar sobre esse livro. O PIOR de 2013. Esperava um chick-lit engraçado e encontrei piadas ruins, acompanhadas de uma protagonista insuportável, além de machista. Nunca vou me esquecer dela falando que o namorado (papai-noel de shopping) havia incorporado a personalidade do bom velhinho e “mulher gosta mesmo é de um bom canalha”. Podia ter passado sem essa.

Quase morri de tanto rir

Dona Sophie Kinsella me conquistou com sua Poppy, protagonista hilária de Fiquei com seu número. A garota que perde a aliança de noivado, o celular e a cabeça. Ri alto com as peripécias dela, amei as notas de rodapé presentes no livro e voltei a ter fé nos chick-lits! Também não posso deixar de citar O Fantasma de Canterville, de Oscar Wilde, onde a família que deveria ser assombrada zoa o fantasma até dizer chega; Ora Bolas, coletânea de historinhas sobre o Mario Quintana; e O Teorema Katherine, que marcou minha reconciliação com John Green.

Aventura, fantasia ou infanto-juvenil

Peter Pan fez com que eu voltasse à infância. De repente, eu era a Taryne de 5 anos de idade, devorando uma história sobre piratas, fadas e garotos que não queriam crescer. Jamais esquecerei as intromissões do narrador, a maravilhosa cachorra-babá e o meu medo do Capitão Gancho.

Autor revelação

Amei conhecer Simone, Neil e Sophie em 2013, mas nada poderia me preparar para esse turbilhão chamado Carson McCullers, com seu estilo gótico sulista, repleto de ambientações rústicas e personagens endurecidos por dentro, que flertam com a loucura, com a escuridão (ou as abraçam logo de uma vez). E no último conto do sensacional A Balada do Café Triste, a mulher que dá voz aos excluídos surpreende ao mostrar que também sabe falar de amor. Quero ler tudo o que ela já escreveu.

Bate bola de personagens

Personagem masculino apaixonante: Andrius, de A Vida em Tons de Cinza. Que outro garoto nesse mundo roubaria um livro por você? Te acharia linda até coberta de lama depois de ter trabalhado por horas? Só mesmo Andrius.

Personagem feminina admirável: Kassandra, de O Incêndio de Troia, de Marion Zimmer Bradley. Impetuosa, feminista, guerreira. Do tipo que não faz o que esperam dela ou deixa de ser quem é pelos outros. Queria ter um pouco de sua coragem.

Personagem mais chato: A protagonista de Dez (quase) amores, claro. Nem lembro o nome.

Personagem mais legal: Auggie, de Extraordinário e Senhor Bennet, de Orgulho & Preconceito. Sarcasmo é uma arte e eles a dominam. Porém, não posso deixar de citar o meu herói hoje e para sempre, Atticus Finch, de O Sol é Para Todos.

Personagem mais perturbador: Todos os personagens completamente desestruturados emocionalmente de Reflexos num olho dourado, de Carson McCullers. O anão, de A Balada do Café Triste, da mesma autora. E, óbvio, o grupo de pirralhos alucinados de Nada, da Jane Teller. Parabéns a todos vocês por explodirem minha cabeça este ano, seus malucos.

Personagem que mais me identifiquei: Lóri, de Uma aprendizagem ou o Livro dos Prazeres, de Clarice Lispector. Os motivos são muitos para enumerar aqui. Apenas repito para mim mesma: se eu fosse um livro, seria esse.

O melhor livro de 2013

A Vida em Tons de Cinza, de Ruta Sepetys, mostra para o mundo, através de uma história de ficção, muito do que aconteceu com pessoas de carne e osso, durante o poderio de Stalin. Os povos bálticos (Letônia, Estônia e Lituânia), deportados pela polícia secreta soviética para campos de trabalhos forçados na Sibéria. Pessoas que, mesmo depois de voltarem para as suas casas, foram obrigadas a não abrir suas bocas sobre o horror que viveram, sob risco de prisão ou nova deportação. No livro, conhecemos Lina Vilkas, de 15 anos, desenhista talentosa, que é levada junto com o irmão e mãe para um dos campos. O pai é separado da família e Lina espera que, de alguma forma, seus desenhos cheguem até ele.  Me estendi na sinopse porque ainda não senti uma empolgação muito grande em volta desse livro e acho isso injusto.  Todos precisam aprender um pouco sobre gratidão, esperança e fé, sentimentos que transbordam em cada página desse livro sem torná-lo piegas nem por um segundo.E não faz mal se encantar com personagens lindos, brilhantemente construídos, cheios de personalidade. Sofri por eles como se fossem da minha família e abracei esse livro por muito, muito tempo depois da leitura. Apenas leiam.

Love, Tary

P.S: Convido todos a responderem, mas por favor, não se esqueçam dos créditos!

sábado, 5 de outubro de 2013

Os não tão incríveis hábitos literários da Tary

Minhas amigas Annoca e Deyse convidaram e cá estou eu tirando a poeira deste blog. A proposta da vez é falar um pouquinho sobre os hábitos literários através de algumas perguntinhas. Vocês podem conferir o post original aqui. Até agora não sei se tem uma interrogação no final do nome da TAG, mas eu coloquei porque… sim, hihi. Indiquei três blogueiras para responder: Michas, Mel e Palominha. Espero que gostem do vídeo, relevem os passarinhos e a total falta de jeito da cidadã brasileira que não grava há dois meses.

Love, Tary

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Jane Austen & Eu

Estou relendo Orgulho & Preconceito. Li  pela primeira vez em 2011 e não pude aceitar o fato de não ter amado completamente. Fiquei frustrada, culpei a tradução da editora e imediatamente me comprometi a reler algum dia. “Eu amo essa história, eu amo o filme em que ela foi baseada, me recuso a não favoritar este livro”, decidi. Observando o histórico de leitura no Skoob percebo que o culpado era o momento. Na época, demorei um mês para completar a leitura, o que prova que algo estava errado. Lembro de ler em viagens de ônibus voltando do meu segundo estágio, que era bem estressante. Enfim. Só mesmo um pouco de amargura poderia ter me impedido de me apaixonar.

Comecei a releitura ontem e prossegui hoje. Fui fisgada na primeira página. É brilhante. Sarcasmo, vivacidade, muito humor e afeição. Pode ter sido a saudade de Lizzie Bennet Diaries, a melhor websérie já produzida, mas eu duvido muito. Esta é a hora certa, apenas isso. Agradeço por ter ouvido a Taryne de dois anos atrás.

Apesar de não querer soltar o livro por nada, não pude frear a vontade de rever o filme. Revi. Reparei nas diferenças. Nas frases que estão na boca de outros personagens. Constatei que a escolha de elenco é perfeita. Quis que o “eu te amo” ao cubo de Mr. Darcy estivesse no livro. Chorei no final, claro. Agora é tarde, já virei amiga desses personagens.

Porém, ao invés de retornar às páginas de Jane Austen, resolvi assistir Becoming Jane, que conta a história do possível romance da escritora com Tom Lefroy. Ela é interpretada por Anne Hathaway e ele, por James McAvoy. A veracidade deste romance é uma dúvida que sempre vamos ter. Pode não ter passado de um flerte rápido. Ambos eram pobres e o casamento jamais aconteceria. Jane o menciona em algumas cartas para a irmã, mas de forma evasiva. Dizem que, à beira da morte, ele confessou ter sentido um “amor de menino” por ela.

Nada disso importa. Torci para que fosse verdade. Acreditei que fosse. Alguém capaz de escrever sobre amor da forma real, honesta e sem exageros que essa mulher fazia, com toda a certeza merecia ter se apaixonado intensamente. Verdadeiro ou não, o filme é uma homenagem maravilhosa. Diz algo como: “Se isso tudo não aconteceu com você, Miss Austen, olhe aqui como poderia ter sido”. Preciso dizer que eu estava tremendamente controlada no quesito lágrimas enquanto assistia. Até o final. Chega a ser ridículo o tanto que chorei nas últimas cenas.

Acho que foi um pouco por causa da admiração crescendo dentro de mim. Jane Austen nunca se casou. Ela jamais faria isso sem amor. Isso um ato de bravura e tanto em uma época na qual ficar solteira era sinônimo de fracasso, muito mais do que hoje (ainda) é. Agora quero ler todos os seus livros. Quero as biografias também, se as encontrar. Podem colocar meu nome na lista de admiradoras e defensoras de Jane Austen, me convidem para o clube do livro das obras dela. Desta vez estarei lá. Mas por enquanto, queiram me dar licença. Miss Bennet e Mr. Darcy me aguardam no baile.

Love, Tary

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Afinal, de quem é a culpa?

Sempre dói um pouquinho quando uma coisa que amamos muito não é apreciada da mesma forma por alguém que também amamos. Ainda mais quando a pessoa até curte, mas não sente metade do que a gente sentiu e tem várias ressalvas a fazer. Comigo isso aconteceu com 'A Culpa é das Estrelas', livro do John Green que todas as minhas amigas amaram de paixão e eu achei apenas bom.

Apesar de ter lido no ano passado, a vontade de falar a respeito surgiu dia desses, depois que a Michas me indicou para um meme em que devemos listar 10 livros que achamos que iríamos gostar mais/menos do que realmente gostamos. ACEDE foi o primeiro que pensei em inserir na minha lista. Aí percebi que os motivos renderiam um vídeo inteiro e resolvi escrever um post logo de uma vez. Porém, confesso que a vontade de me explicar foi reforçada depois que levei muitas tomatadas de duas amigas, ontem, via Skype. Tudo porque dei três/quatro estrelas (ainda estou em dúvida) para a jornada de Hazel e Gus. Meninas (e leitores), não me odeiem. Tentem me entender e por favor não achem que minhas opiniões foram influenciadas por outras pessoas. Eu tenho os meus motivos. E eles são muito meus. 

A história é bonita e bem escrita? Totalmente. Green trata o público adolescente do jeito que ele merece? Sem dúvida nenhuma. Dito isso, preciso afirmar que eu esperava mais, esperava outra coisa. Chorei, fiquei triste pelos personagens, mas não fui totalmente arrebatada. Não senti vontade de morder o livro nem de obrigar todo mundo a ler. Minhas expectativas estavam lá no céu e não foram alcançadas. Vejam bem, eu tinha absoluta certeza de que este seria o melhor YA a passar pelas minhas mãos. Porque, convenhamos, John Green é um ser humano sensacional. 

Conheci e comecei a acompanhar 'João Verde' em 2008. Ano em que ouvi falar pela primeira vez de Looking for Alaska, seu primogênito. E em 2011, pouco tempo depois do livro chegar ao Brasil com o nome de "Quem é você, Alasca?", me entreguei à leitura. Lembro de descrever a obra como um livro completo. Aventura, drama, momentos muito engraçados e reflexões. Apesar de menos acessível, Alasca me agradou bem mais do que o mais novo livro. Me conquistou justamente por parecer tão despretensioso, por ter personagens 'reais', com a adolescência em cada traço, muito inteligentes, mas com a essência do high school saindo pelos poros, com aquela vontade de sair por aí em busca de alguma coisa, de qualquer coisa. 

Exatamente por isso não entra na minha cabeça que uma personagem tão jovem e prestes a morrer passe seus poucos dias lendo o mesmo livro, mofando em casa e vendo America's Next Top Model com os pais. Eu esperava mais revolta, mais raiva, mais dor escancarada. Não soa plausível, na minha opinião, que uma personagem adolescente seja tão serena e sábia quando se trata de uma injustiça como essa que se abateu sobre sua vida. Afinal, na adolescência, todos os sentimentos são maximizados. Eu preferia que Gus fumasse logo o cigarro ao invés de apenas colocá-lo entre os dentes para que mais uma metáfora brilhante surgisse no texto. Queria que os dois quebrassem algumas regras, chutassem o balde, parecessem mais jovens. Também esperava um amor menos tranquilo, menos maduro, mais desesperado. Entendem o que quero dizer? Os protagonistas não me convenceram como adolescentes, infelizmente. Acho que Jenny Downham foi bem mais feliz ao retratar uma adolescente com câncer em 'Antes de Morrer'. 

Outra razão pra eu ter me desanimado com o livro foi a previsibilidade do enredo. Desde o início eu já imaginava o que ia acontecer. Como tudo ia terminar, o porquê do escritor babaca ser tão babaca, etc ... E isso também me incomodou. Sei que vocês devem estar pensando que não importam os fatos, mas sim o modo como eles são contados pelo John... o problema é que eu me distraí um pouco da beleza da escrita por conta de tudo o que citei acima.

Talvez eu releia em inglês. Talvez eu releia em português mesmo, um dia. Ou talvez eu me conforme em não gostar tanto assim. O fato é que eu amo John Green. Quero e ainda vou ler todos os seus livros. Admiro o modo como ele não subestima seu público e quero abraçá-lo bem forte por desafiar os nerdfighters sempre que pode. Só acho que talvez eu realmente prefira o 'grande talvez' a ‘alguns infinitos maiores que outros’.

Love, Tary

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Da ficção para a realidade

Se tem uma coisa que é real nessa minha vida é o meu amor por personagens fictícios. Apesar de tremendamente nerd, essa frase é verdadeira. Não sou nada antissocial – pelo menos não quando eu não quero ser –, amo minha família e meus amigos, mas daria tudo pra passar algumas horas com alguns deles. Ouvir David Bowie com a Cassie, comentar livros e poemas com o Charlie, dividir dramas capilares com a Felicity, aprender feitiços com a Hermione, roubar o Cricket da Lola. Enfim. E hoje, eu tenho a oportunidade de imaginar um encontro com vários deles. Encontro esse que já imaginei diversas vezes.

Acho que todo mundo aqui já sabe que estou me aventurando pelos mares do You Tube. [Início do merchan] Faço vídeos literários semanais por lá e novos viewers são muito apreciados. Por isso, se inscrevam clicando aqui [fim do merchan]. Também super fã de vídeos, minha amiga diva Rafaela Venturim sugeriu que todas gravássemos uma TAG bem bacana. O tal do Jantar Literário. Topei prontamente e, apesar das dificuldades em escolher, montei a minha lista. A brincadeira consiste em organizar um jantar com vários personagens da Literatura a partir de algumas perguntas.

Para continuar a TAG, convido as queridas Gabriela Couth e Michas!

Love, Tary

sábado, 12 de janeiro de 2013

Os livros da minha estante… em 2013

Em 2011, senti vontade de gravar um vídeo mostrando os livros da minha estante. Venci a vergonha e postei. De lá pra cá, as minhas prateleiras mudaram tanto que precisei repetir a dose. Ficaram faltando apenas 12 livros, que vão ser devidamente mostrados em outro vídeo, além de dois que eu não mostrei por puro esquecimento (e de outros cinco que eu comprei hoje, alguém me impeça de entrar em livrarias, pelo amor de Deus!). Divirtam-se com os meus sapatos jogados pelo quarto e que fazem uma participação ultra especial (só que não) e, de quebra, conheçam minha coleção de corujinhas. É isso! Nós nos falamos nos comentários =)

Love, Tary

P.S: Convido qualquer um que estiver assistindo pra gravar também =)

domingo, 6 de janeiro de 2013

Tributo à Kassandra de Troia

Ou: um vídeo sobre ‘O Incêndio de Troia’, de Marion Zimmer Bradley

Devorar um livro de mais de 500 páginas é uma delícia. Quando o livro é bom, claro. E este é simplesmente sensacional. Sem abandonar os fatos históricos e a magia das lendas, Marion Zimmer Bradley narra a derrota de Troia pelos olhos de Kassandra, princesa daquela cidade, profetisa, sacerdotisa de Apolo, o deus do Sol, guerreira amazona, forte, brava. Alguém que nunca entendeu o destino conferido às mulheres a sua volta e sempre soube que não se sujeitaria às vontades dos homens acima das suas. ‘O incêndio de Troia’ chama o feminismo de qualquer uma à tona e parece querer fazer exatamente isso. Kassandra é uma personagem que quer fazer tudo o que lhe dizem que ‘as mulheres não podem’ e sua ira contra quem diz o contrário fica clara no trecho abaixo.

“(…) se retornar a casa de Príamo, seu pai lhe arrumará um marido. Eu ficaria muito satisfeita se a visse casada e com um filho no colo. E não haveria mais essas profecias e sonhos maléficos para atormentá-la. Apesar do tom afetuoso da mãe, Kassandra sentiu uma onda de raiva tão intensa que a sufocou. Ah, esse é o remédio para todas as coisas que estão erradas para as mulheres. Se uma mulher é infeliz ou comete um erro, se não faz o que todos esperam, então ela estaria melhor com um marido; e se tivesse um filho, seria remédio para todos os males”.

Essa passagem fantástica exemplifica isso que acabo de dizer. E a Guerra é descrita como deve ser. Com perdas, sangue, dor e sem vencedores, de fato. Kassandra entrou pra minha seleta lista de personagens favoritas de todos os tempos, as mais admiráveis. Ela não é a personagem que eu queria ser por ter sofrido demais, mas com certeza eu gostaria de ter sido sua amiga.

Love, Tary

P.S: Se inscrevam no meu canal no You Tube porque nem sempre os vídeos vão vir pro blog!

sábado, 5 de janeiro de 2013

Os personagens mais apaixonantes da ficção

No ano passado, Anna Vitória fez um post descrevendo todo o seu amor pelo Peter Parker e Rafitcha sugeriu que fizéssemos o mesmo com os nossas crushes da ficção. Intrometida que sou, já cheguei dizendo que bem poderia ser uma lista, um top 10 logo de uma vez. Mas o tempo passou e ninguém se manifestou mais. Aí Analu e Deyse toparam me acompanhar na ressurreição da ideia na noite passada e eis o post. Se esses dez caras não fossem personagens fictícios, eu já tava com uma aliança no dedo.

cricket

Cricket Bell - Lola e o Garoto da Casa ao Lado

O Cricket tem um um metro e noventa e cinco de altura. E, sim, eu precisava escrever isso por extenso porque, como diria Monica Martelli, 30% dos homens estão comprometidos, 30% são gays e 40% são baixinhos. Vida não tá fácil. Ele é inventor, idealista, absurdamente fofo e paciente. Capaz de criar os presentes mais criativos e apaixonantes. Isso porque ainda não comentei sobre o estilo pra se vestir, os olhos azuis e as expressões de “estou decifrando uma equação difícil e ela é você”. Desafio qualquer uma a não ter pelo menos uma quedinha por ele durante a leitura do livro.

Ron Weasley[1]

Ron Weasley - Harry Potter

Engraçado, humano e dono dos cílios ruivos mais lindos desse mundo. Ah, eu até mataria algumas aranhas por ele. Também acho que Ron é um dos personagens que mais evoluiu durante a saga. Além disso, ele é um excelente amigo. E acho que no fundo a gente tem é que terminar com alguém que possa considerar um companheiro na essência dessa palavra. Também não seria mal ter um bruxo sempre pronto a te proteger, falem a verdade.

mcsteamy

Mark Sloan - Grey's Anatomy

Completíssimo. Absolutamente bem humorado, com aquela beleza que a gente olha e pensa “tô vendo miragem, né possível”, dedicado, spoiler: um pai maravilhoso e um dos melhores professores que o Seattle Grace já viu. Ele se diverte zoando os internos, mas ensina. E ensina direito. Fora que quando se apaixona, se entrega totalmente, sem reservas. Mark Sloan, você é unanimidade, você é um dos meus personagens favoritos de todos os tempos. Você é foda.

karevinho

Alex Karev - Grey's Anatomy

Só Deus sabe o quanto eu amo esse homem. Karev é um sobrevivente. Superou a dor, superou todas as dificuldades que se abateram sobre ele e continua superando. Um médico brilhante e que por baixo do sarcasmo esconde um coração de ouro. Sua evolução durante a série é espantosa. Casaria com ele sem nem pensar a respeito. E eu estava com vergonha de escrever isso, mas dane-se: ele visivelmente tem pegada. Se acharem essa afirmação cafona, me processem. Beijão.

JESSE

Jesse - Antes do Pôr do Sol

Jesse é do tipo que escreve um livro sobre você. Do tipo que perde um avião por você. Do tipo que não te esquece mesmo que a distância os separe. Jesse tem aquele sorriso de adolescente e repara no que você está lendo no trem. Jesse conversa sobre tudo, tem opiniões e dúvidas e conversa a respeito como se não houvesse amanhã. Jesse se apaixona, simplesmente.

chand
Chandler Bing – Friends

Monica que me perdoe, mas eu daria tudo por um Chandler. Ele tem as melhores sacadas, os melhores trejeitos e as melhores piadas do mundo. Tira da cara de todo mundo, é um palhaço, mas ao mesmo tempo consegue ser doce. Completamente doce. Um amigão, uma criança grande que também sabe a hora de falar sério. Não é à toa que tantas meninas tem uma camiseta “I (heart) Chandler” nesse mundo. Como faz pra encomendar a minha? E já que ele fez meu pedido de casamento favorito da televisão, nada mais justo do que compor essa lista.

vamp
Damon Salvatore - The Vampire Diaries

O cara é um vampiro. E não me venha achar que ele brilha no sol e come bichinhos da floresta. Ele é vampiro de verdade. Sádico, mau, egocêntrico, matador. Um atormentado, eu diria. Mas  eu diria sim pra ele no altar. Porque todas essas características são postas de lado quando se trata de proteger a mulher de sua vida. Sem falar na canastrice, no senso de humor, no maravilhoso shirtless com o qual nos brinda toda a semana e sem falar das bochechas rosadas. Damon, esquece a Elena e me liga. 

cooper
Agent Cooper - Twin Peaks

Cooper tem um charme do tamanho de um bonde, é assustadoramente inteligente, sabe apreciar uma boa comida como ninguém e como se não bastasse, é um perfeito cavalheiro. Sua mente brilhante, seu bom humor, sua coragem e sua capacidade de sorrir enquanto o mundo está desabando a sua volta fazem dele um marido perfeito. O fato dele trabalhar em casos perigosos do FBI dá um pouco de medo, mas não é o suficiente para me dissuadir.

rodrigo
Luiz Cláudio - A Dona da História

Ser interpretado por Rodrigo Santoro e Fagundão diz muita coisa. Mas gente, esse personagem não existe. O que é tristíssimo. O cara é revolucionário – tenho quedinha, Vasco Bruno de Erico Verissimo que o diga –, faz serenata, leva em viagem de carro, diz – chorando - que espera o tempo que for preciso! Que amor não se mede nem por fita métrica nem por calendário. E ama até o fim. Não deixa pra depois, não desiste.

matt
Matt Flamhaff - De repente 30

Mais uma vez o ator diz muito sobre o personagem. Qualquer outro poderia deixar o maravilhoso Matt com jeito de bobo, mas não Mark Ruffalo. Se o Matt não me quiser, aceito o Mark Ruffalo de bom grado – Santoro, isso vale pra você também –, mas enfim, foco. O Matt é aquele cara que sabe a coreografia de Thriller, te leva pra comer doces dos anos 80 e pra brincar de balançar. Ele é outro daqueles que ama pra sempre, que é um grande amigo. Que não esquece. Fora que é talentoso e sempre está disposto a ajudar. Perfeito.

Menções honrosas noveleiras: Elano de Cheias de Charme, Juvenal e Mundinho de Gabriela, Tomé de Cabocla e Zeca Diabo de Paraíso.

Love, Tary

sábado, 29 de dezembro de 2012

Livros: o melhor de 2012

Continuando com a tradição firmada no ano passado, venho contar pra vocês o que li em 2012 no formato vídeo. Desculpem o tamanho. É que já faz um ano, eu estou enferrujada e perdi totalmente meu poder de síntese – o pouco que eu tenho, claro. O que me assusta é que no ano passado eu gastei esse mesmo tempo para falar de TODOS os livros que havia lido e nesse, comentei apenas sobre as melhores leituras. Enfim, espero que se divirtam assistindo e não fiquem irritados com as minhas manias e tiquezinhos. A lista não está em ordem cronológica nem de preferência. Ou seja, mandei a organização pro beleléu este ano. Outra coisa que preciso dizer é que não li nenhum livro ruim. Todos foram bons, mas apenas alguns deles me conquistaram.

 

Eu e Anna Vitória resolvemos entrar nessa dos vídeos juntas, adorei o tipo de post que ela inventou e resolvi copiar. Posso né, amiga?

Livros lidos em 2012 - e breves comentários sobre eles:

1) Um Dia

Em and Dex, Dex and Em. Apenas amor.

2) Contos de Fadas

Entrou para os favoritos porque eu amo Contos de Fadas, essa edição da Zahar é maravilhosa e eu pretendo reler bastante nessa vida. Pequena Sereia é meu favorito disparado.

3) Reparação

Preciso reler. Estraguei totalmente minha experiência com o livro porque estava de péssimo humor e fiz o impensável: li o final. Eu sei, shame on me. É impecável, no entanto, só relendo pra dar a ele o tratamento devido.

4) Pequena Abelha

Achei muita manchete pra pouca notícia, porém cheguei a me emocionar em algumas partes e tem umas passagens muito bonitas.

5) Espera

Continuação da saga dos lobinhos que eu havia começado a ler no ano passado. Vou ler o último pra ver como se encerra, mas achei o primeiro melhor…

6) Fazendo meu filme 2

Tão gostoso de ler quanto o primeiro. Nada que vá mudar a vida, mas super bem intencionado, fofo e adorável. Também vou continuar com os livrinhos da série.

7) Papel-jornal, artigos de Jornalismo Cultural

8) Jornalismo Cultural

9) Jornalismo de Revista

10) A Era do Vazio

Pós-modernismo e tapas na cara a cada página. Estudantes de Jornalismo, leiam.

11) As Vantagens de ser Invisível

O livro mais amado do ano. Não importa o que digam a respeito,  não mesmo. Charlie entra na lista dos personagens mais inesquecíveis da minha vida.

12) A Lista Negra

Incrível, incrível, incrível. Boa pedida para ser trabalhado nas escolas, na minha opinião de leiga. E foi um presente lindo que ganhei da minha amiga Renata <3

13) O Apanhador no Campo de Centeio

MARAVILHOSO! Melhor livro do ano.

14) Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios

Troféu melhor título do mundo.

16) Precisamos Falar sobre o Kevin

Troféu Soco no Estômago e Personagem mais Perturbador.

17) Quarto

É excelente, só a narrativa que me incomodou um bocado.

18) Criança 44

19) Amanhã você vai entender

Eu esperava mais. Monstrinho da expectativa estragou nossa relação. Mas ainda assim vale a pena.

20) A Culpa é das Estrelas

Muito ótimo, apesar de não ser meu favorito do John Green e nem de 2012.

21) Pequenas Epifanias

22) A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça

Curtinho, curtinho e bem bacana. A edição da Leya é de babar de tão linda. Ilustrada, gente <3

23) Bela Maldade

Surpresa altamente positiva do ano!

24) Diário de um Banana

Pra ler em uma sentada e morrer de rir. O mais engraçado do ano.

25) Estilo Magazine – o texto de revista

26) Lola e garoto da casa ao lado

Troféu casal mais apaixonante de 2012, troféu ‘virei a noite lendo’ e troféu ‘personagem masculino apaixonante’, claro. Quero um Cricket pra mim, me desculpa sociedade. Além disso tudo, foi emocionante rever os personagens de Anna e o beijo francês. Mesmo.

Love, Tary

domingo, 9 de dezembro de 2012

Passeio pela estante virtual

Ou se você quiser um título infame: Skoob, Skoob Do.

books

Acompanhei esse meme desde quando ele surgiu pelos vlogs da vida e adorei, porque amo falar sobre livros e adoro brincar no Skoob, mas a grande vontade de responder só surgiu quando a Annoca o postou no blog dela, a convite da Amanda. São quinze perguntinhas sobre a rede social literária e que, querendo ou não, acabam dando uma ideia de como estão as minhas leituras.

1 - Quantos livros você tem na aba LIDO?

267.

2 - Qual livro você está lendo?

Estou lendo um livro genial e empolgante chamado Criança 44, do autor Tim Rob Smith. É um thriller que se passa na URSS de Stalin, onde os crimes eram escondidos da população para que todos pensassem que o país estava livre da violência porque todos eram iguais. O personagem principal é um agente que recebe ordens para ignorar um assassinato, mas acaba querendo encontrar o criminoso. Suspense incrível.  

3 - Quantos livros você tem na aba VAI LER?

198 livros. Meu esquema pra essa aba é colocar todos os livros que eu quero ler na vida, a médio e a longo prazo.

4 - Você está relendo algum livro? Qual?

Não estou. Aliás, mesmo que estivesse não colocaria no Skoob. Porque aí o livro some da minha aba de livros lidos. E meu TOC me deixa desesperada com isso.

5 - Quantos livros você já abandonou?

Segundas chances: Duas histórias muito açucaradas com aqueles personagens patéticos que choram de emoção durante o sexo e se amam com todas as forças do coração e da alma. Eca. Só aguentei terminar a primeira história e com muito custo. Barbara Delinsky nunca mais!

Marley e Eu: Calma, gente! Eu juro que tenho coração! Mas achei a narrativa tão chatinha… e o livro era emprestado, o que significa que eu tinha prazo pra ler. Aí eu larguei. Escrevam nos comentários se eu perdi muita coisa.

O vendedor de sonhos: Meu tio jurou que é maravilhoso e eu confio no gosto dele. Só que a coisa não engrenava de jeito nenhum. E olha que eu até tinha conseguido ler um livro do Augusto Cury antes. Não sei se não rolou química, ou se o preconceito falou mais alto. 

O Mundo de Sofia: Achei o começo insuportável e também era emprestado. Devolvi sem ler. E a pessoa que havia me emprestado também não tinha conseguido ler, o que deve significar alguma coisa.

A paixão segundo G.H: Eu tenho muito nojo de baratas. Asco profundo e avassalador que sempre me faz dar gritinhos chorosos e gritar pelo meu pai. E acho que todo mundo sabe que a personagem da Clarice Lispector tem as mais altas experiências filosóficas com uma barata e acaba, inclusive, comendo o bicho. Não deu. Mas ainda quero ler um dia porque pretendo ler todos os livros dessa escritora. Ela dizia que esse livro é pra quem já tem a alma formada. Vamos considerar que a minha ainda está se graduando.

6 - Quantas resenhas você tem cadastradas no Skoob?

54. Antigamente era sagrado! Eu sempre escrevia algum comentário após terminar a leitura de algum livro, mas hoje em dia a preguiça tomou conta de mim. Quem sabe ano que vem eu retomo, né? Era tão divertido.

7 - Quantos livros você já avaliou?

O mesmo número de livros lidos, 267. Sempre avalio.

8 - Quantos livros você tem na aba FAVORITOS? Cite alguns deles:

Tenho 65 livros nessa aba. Eu não tenho muita frescura pra favoritar, não. Se me apaixonei durante a leitura e senti o coração bater mais forte, vou marcar como favorito. Não me importa o gênero. Alguns deles: Aos meus amigos, da Maria Adelaide Amaral, Bela Maldade, da Rebecca Brown, Pequenas Epifanias, do Caio Fernando Abreu, Música ao Longe, do Erico Verissimo (o amor da minha vida), Meu pé de laranja Lima, do João Vasconcellos, As Virgens Suicidas, do Jeffrey Eugenides, O apanhador no campo de centeio, do Salinger, A Menina que roubava livros, do Markus Zusak (…)

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9 - Quantos livros você tem na aba TENHO?

139, por enquanto.

10 - Quantos livros na aba DESEJADOS?

Nos desejados, coloco os livros que eu preciso comprar (ou ganhar) URGENTEMENTE! Prefiro assim pra não colocar milhões e depois ficar me torturando porque não tenho os 198 que quero ler. São 31 no momento.

11 - Quantos livros emprestados no momento? Quais?

Nossa, fiquei assustada agora. Tenho 12 livros emprestados no momento! Ai dessas pessoas se não me devolverem. See Jane Date, Réquiem em Los Angeles, A vida secreta das Abelhas, Os contos de Beedle – O bardo, O Castelo de Vidro, A menina que não sabia ler, Fazendo meu filme 1, Ler viver e amar em Los Angeles (que vai trocar assim que voltar do empréstimo. Horrível esse livro), O menino do pijama listrado, A borboleta tatuada, A sombra do vento e Uma vida interrompida

12 - Você quer trocar algum livro? Qual?

Não. Saí dessa de trocar pelo Skoob, prefiro ir ao sebo daqui e fazer a festa. Mais rápido.

13 - Na aba META, quantos livros você tem marcados? Conseguiu cumpri-la?

27. Eu uso esse recurso só pra organizar os livros que quero ler e ter uma ideia de quantos livros eu li no ano, não necessariamente como uma meta. Aí nem ligo se vou cumprir ou não.

14 - Qual o número do seu paginômetro?

59.649

15 - Qual o link do seu perfil no Skoob?

http://www.skoob.com.br/usuario/153573-taryne

Todos estão convidados a responder!

Love, Tary

domingo, 17 de junho de 2012

Um livro é mudo, mas conta tudo…

Ler sempre foi uma coisa mágica pra mim. Mesmo antes de aprender já tinha mania de folhear livros, observar as figuras e ficar horas tentando entender aquele código de letrinhas que, até então, eu não fazia ideia do significado. E acho que tudo isso é culpa da minha mãe, em primeiro lugar. Porque quando penso na vontade que tinha de ler quando era criança e no porquê da minha paixão tão grande pelos livros, só consigo me lembrar dela. Deitada na cama, com um livro nas mãos, rindo, chorando, absorta. Devorando palavras e ficando completamente “surda” aos meus chamados.

Então, aos quatro anos, finalmente aprendi. Fui uma das primeiras da classe porque já não me aguentava de ansiedade. Decifrei o código, percebi que poderia criar um mundo inteiro na minha mente a partir dele e descobri de uma vez por todas porque minha mãe não me ouvia quando estava com um livro nas mãos. O primeiro lido eu não me lembro qual foi, mas deve ter sido o exemplar de “João e Maria” que ganhei da minha avó no dia 17 de maio de 1995 com a seguinte dedicatória: “Taryne, ler ou ouvir historinhas é muito importante na vida das crianças, por isso te ofereço este livro, com carinho, Vovó Cleonice”. Além de ser minha avó, ela era professora nessa época, o que eu achava o máximo.

Como sempre gostei de desenhar, estas palavras lindas estão rodeadas por  desenhos: corações, estrelas, uma casinha - e até uma barba na pobre da Maria porque senso de humor nasce com a gente. As ilustrações são lindas de derreter e sempre que releio e olho para elas, me sinto com quatro anos de novo. Estirada no sofá da sala da minha antiga casa, com algum dos meus vestidos de verão, aqueles cabelos curtos e cacheados emoldurando o rosto curioso, um desenho passando na televisão e, claro, sendo totalmente ignorado por mim.

Falar de livros me emociona muito porque, de alguma forma, eles sempre me salvaram. Desde quando eu tinha quatro anos e odiava alguns dos meus coleguinhas de sala, até quando tinha 16 e não sabia o que fazer da vida e, principalmente, neste ano, quando se tornaram tema do meu último trabalho da faculdade. Todos os dias, as palavras me salvam um pouquinho. Sem elas, eu estaria completamente perdida e sozinha nesse mundo.

Quando termino de ler um livro, sinto que posso fazer qualquer coisa, me sinto forte para continuar tentando, me sinto com super poderes. Eles me mostram que, apesar das coisas horríveis que acontecem e sobre as quais eu escrevo todos os dias no jornal, ainda existe esperança. Ainda existem ventos de Erico Verissimo para despentearem meus cabelos, aventuras de J.K Rowling para fazerem meu coração bater mais depressa, bibliotecas de Markus Zusak para que eu me sente no chão e esqueça do mundo e, claro, imensos-amores-desconhecidos de Caio Fernando Abreu para que as lágrimas se formem no canto dos meus olhos. E muitas, muitas outras histórias que eu mal posso esperar para me salvarem no fim do dia.

"Quando se procura um livro não é para fugir à vida, mas sim para viver ainda mais; viver a vida de outras personagens, em outras terras, outros tempos. Ainda é o desejo de viver que nos leva para os romances"

(Erico Verissimo)

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Love, Tary

P.S: Obrigada, vó. Obrigada, mãe. Sem vocês talvez eu não soubesse o quanto é incrível viver ainda mais por causa dos livros.