quarta-feira, 7 de julho de 2010

20 anos sem Cazuza


Quando criança, gosto do som de seu nome e canto “Exagerado” num karaokê. Tempos mais tarde, assisto ao filme que retrata sua vida e me emociono com suas dores. Leio “Só as mães são felizes” e choro baixinho pensando nas injustiças e sofrimentos que teve de suportar. Vejo todos os DVDs, vídeos, fotos e me admiro cada vez mais com sua beleza, talento e carisma. Escrevo a primeira reportagem da minha vida a seu respeito. Sonho em ir à Sociedade Viva Cazuza e  conhecer Lucinha Araújo. Viro as páginas de “Preciso dizer que te amo” e não me canso de reler suas canções, encontrar fotografias incríveis em preto & branco, conhecer seu processo criativo. Escuto suas músicas todos os dias da minha vida, me impressionando com cada construção, cada figura de linguagem, cada som, cada verdade, como se estivesse ouvindo tudo pela primeira vez. Fico encantada com suas poesias musicadas, com seu jeito desbocado e com sua coragem. E neste dia, 20 anos depois de ter ido brilhar em outro lugar, preciso dizer que te amo...

Um dia Cazuza definiu Cartola, seu grande ídolo, da mesma forma que hoje eu o defino:
Cazuza não existiu, foi um sonho que a gente teve...

*

Peço desculpas pelo post curto e não muito bem escrito. Eu queria que quando falasse de Cazuza, fosse de uma maneira perfeita, mas eu estava muito emocionada ao escrever e acho muito difícil falar do que amo. Além disso, estou chocada e tristíssima porque Ezequiel Neves, produtor musical e grande amigo de Cazuza, a quem este chamava carinhosamente de avô, faleceu hoje, exatamente 20 anos após a morte do Poeta.

Love, Tary

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Amor, simplesmente.

"Quase desejo que fôssemos borboletas
e vivêssemos somente três dias de verão. Três dias a seu lado, e poderia
preenchê-los de mais encanto do que 50 dias comuns
jamais teriam."

Acabo de assistir Bright Star, filme que conta a história do poeta John Keats e da paixão de sua vida, a jovem Fanny Brawne. Ela não quer saber de poesia e gosta de confeccionar suas próprias roupas; ele encontra inspiração no ócio e tenta, em vão, cuidar de um irmão doente. Fanny e Mr. Keats se encontram em 1818 e se apaixonam tão desesperadamente quanto só podiam ser os amores daquele tempo, pois  existiam convenções, impedimentos e... doenças incuráveis.

Barreiras intransponíveis os separam e eles escrevem cartas repletas de palavras insuficientes para expressar a falta que sentem um do outro. Em uma das correspondências, Keats pede que Fanny beije cada palavra que escreverá como resposta, para que ele possa colar os lábios onde os dela estiveram. Eles lutariam contra tudo para ficarem juntos, mas há coisas que estão além de nossas forças, além de nosso alcance.

Não é a fotografia impecável, não é a direção primorosa. Não é o roteiro encaixando as cartas trocadas pelo casal durante todos os anos em que se amaram, não é o figurino absolutamente encantador, não são as paisagens nem as borboletas. Não é sequer a poesia imortal do grande John Keats. É o amor. Amor, simplesmente.

"Escreva as palavras mais doces
e beije-as para que eu possa, ao menos, tocar
meus lábios onde os seus estiveram."

Love, Tary