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segunda-feira, 10 de junho de 2013

Melancolia conformista

Já me conformei em gostar de certas coisas que me doem. Parece masoquista apreciar algo que gera um pequeno sofrimento, mas minha pretensão nunca foi ser normal mesmo. Por isso, deixo claro neste exato momento que acho melancolia uma palavra extraordinária. Uma das poucas que expressa seu significado em cada sílaba. Experimente sussurrar ‘melancolia’ em alguma madrugada dessas e me diga se o som também não é dolorido na medida certa.

Sei exatamente quando ela me atinge porque vem de mãos dadas com um certo conformismo que não me é característico, mas que acaba me deixando serena. Acho que aprendi a  conviver com a melancolia porque a dor é suportável e vem carregada de criatividade. Faz com que eu olhe pra dentro de mim. A tristeza pura e simples não me deixa esperançosa nem me empurra pra frente. Mas a melancolia me faz ter vontade de pintar os lábios com meu melhor batom e jogar por cima da cabeça o vestido que mais me cair bem. Os olhos não estão alegres como costumam ser, mas a cabeça fervilha.

Melancolia é aquele vento frio que me faz abraçar a mim mesma e fechar os olhos como num pedido. É jogar o cabelo na direção contrária e sorrir aquele sorriso triste que não é destinado pra ninguém a não ser pra você mesma. A melancolia me faz ouvir os discos da Legião Urbana de cabo a rabo enquanto encaro o teto do meu quarto. Me faz mais bonita na minha solidão. Como se eu fumasse um cigarro na sacada de casa sem fumar nada nem ter sacada em casa. Como se eu vivesse mil vidas dentro de um só corpo. A melancolia dói, mas impulsiona. Fere, mas também ajuda a cicatrizar. É uma parte mais triste da gente, sim. Mas uma parte que precisa existir.

Maria Lúcia aprova esse post

Love, Tary